Por Ana Laura Moretto
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Para Eduardo Gianozelli, 11 de setembro reúne sentimentos diferentes. É o dia em que nasceu, mas também a data de uma das maiores tragédias da história que ele acompanhou de perto em Manhattan, nos Estados Unidos.
Aos 56 anos, completados nesta sexta-feira (11), o sanjoanense é designer e atualmente trabalha com móveis em São João da Boa Vista, onde mantém sua empresa desde que voltou ao Brasil, há mais de 20 anos.

A relação com as Torres Gêmeas começou antes da tragédia. Em 11 de setembro de 2000, exatamente um ano antes dos atentados, Eduardo comemorou seu aniversário em Nova York, ao lado da esposa, Juliana. O casal tinha o costume de viajar na data e naquele ano visitou pontos turísticos de Manhattan, incluindo a região do World Trade Center.
“Não sei por que a gente não quis subir nas torres. Não tivemos interesse. Você olha para cima e não vê o fim. É gigante!”, lembrou Eduardo.
Um ano depois, a mesma data teria um significado completamente diferente.
Em 11 de setembro de 2001, Eduardo estava novamente em Manhattan. Na época, já trabalhava com marcenaria e prestava serviços na região. Era seu aniversário de 31 anos. Durante o trabalho em um restaurante, o proprietário percebeu que algo havia acontecido e chamou Eduardo. De onde estavam, era possível enxergar as Torres Gêmeas. “Foi uma coisa muito difícil, porque ninguém sabia o que estava acontecendo direito”, contou.
A movimentação aumentou rapidamente, com ambulâncias, equipes de resgate e aviões militares. Eduardo e os demais trabalhadores recolheram as ferramentas e decidiram deixar Manhattan.
Ele voltou para casa, em Mount Vernon, onde morava com Juliana. No caminho, acompanhou as primeiras informações pelo rádio e começou a entender a dimensão da tragédia. Em casa, Juliana também havia acordado assustada com o barulho de aviões, ambulâncias e equipes de socorro.
UMA LEMBRANÇA QUE PERMANECE
Cerca de três semanas depois dos ataques, Eduardo voltou à região das Torres Gêmeas. A destruição ainda estava presente e havia muita fuligem. Entre as lembranças mais marcantes está a de um bombeiro que ele conhecia e para quem havia prestado serviços. Após o atentado, a esposa do homem entrou em contato para contar que ele havia morrido durante o trabalho de resgate, “foi um choque. Mais de duas décadas depois, as imagens das Torres Gêmeas ainda me despertam sentimentos. Me lembra tudo. Arrepia, e acaba até me emocionando”, contou.
Para Eduardo, 11 de setembro deixou de ser apenas aniversário. É uma data de celebração, mas também de memória. “É o dia que eu comemoro a vida. E quantas vidas a gente perdeu nesse dia”, relembrou.
E uma parte dessa história agora também ficará preservada em São João. Eduardo presenteou O MUNICIPIO com um exemplar de um jornal local dos Estados Unidos, publicado após os atentados, com a cobertura da tragédia.
Guardado por ele desde 2001, o exemplar registra o período que viveu tão de perto. Ao entregar o material, Eduardo afirmou que o acervo histórico do jornal é um bom lugar para preservar essa memória e permitir que no futuro outras pessoas possam conhecer parte da história que ele testemunhou.
Aos 56 anos, ele carrega a lembrança de ter estado diante das Torres Gêmeas um ano antes de sua destruição e de ter acompanhado de perto um dos acontecimentos que mudaram o mundo.
Para ele, entre todas as coincidências daquela história, permanece uma certeza de que teve um livramento. “Deus põe a gente nos lugares certos, na hora certa” finalizou.




