Por Maurice Progin
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Na madrugada de terça-feira (8), por volta das 5h, um Jequitibá-Rosa de cerca de 25 metros caiu no Bosque Estadual de Águas da Prata, atingindo a lateral de um quiosque e também danificando a rede elétrica do local. Não houve feridos, já que ninguém passava pela área atingida por conta do horário.
A Defesa Civil do município montou uma força-tarefa para desobstruir o calçadão, dar suporte no trânsito da avenida Washington Luís e restabelecer a fiação e os serviços.

Segundo relatos de comerciantes, a árvore estava com a raiz podre e vinha estalando nos dias anteriores à queda. O dono do quiosque afetado, Xandi Tabarine, lamenta o ocorrido, mas agradece pelo fato do local estar vazio no momento. “Quando fiquei sabendo eu fiquei sem chão. O quiosque é o nosso único sustento. Mas ao mesmo tempo estou aliviado por não ter acontecido nada com minha família, porque horas antes a gente estava trabalhando lá e também tinha muitas pessoas passando no local”.
Xandi terá de arcar com os custos da reforma. “Conseguimos uma autorização para colocar um trailer temporário. O conserto do quiosque é por minha conta. Estou aguardando a liberação do bosque estadual para iniciar os reparos”.
A manutenção do bosque é de responsabilidade da Fundação Florestal, vinculada ao Governo do Estado de São Paulo. Segundo o poder executivo de Águas da Prata, o Jequitibá-Rosa estava mapeado em um laudo técnico da Fundação, que apontou também dezenas de outras árvores com problemas críticos na área. Por isso, três foram cortadas ainda na manhã de terça (8).
A reportagem do O MUNICIPIO entrou em contato com a Fundação Florestal para saber se estava previsto o corte da árvore que caiu e também das outras identificadas no laudo, e com que frequência eles fazem as vistorias, mas não teve um retorno até o fechamento desta matéria.
O MUNICIPIO também questionou a Defesa Civil de Águas da Prata, para saber como são feitos os trabalhos de prevenção e mapeamento do bosque. “O processo de prevenção teve início a partir de solicitações dos comerciantes locais, que acionaram a Defesa Civil pedindo uma vistoria na área. Diante do chamado, solicitamos a presença da gestão do Parque Estadual no local para realizarem uma vistoria conjunta, com o apoio e acionamento de especialistas do Estado na área de arborização. A partir dessa inspeção unificada, os especialistas elaboraram um laudo técnico detalhado, identificando quais indivíduos arbóreos daquela área de uso público apresentavam riscos à população devido às suas condições sanitárias comprometidas”, afirmou Igor Benevides, coordenador da Defesa Civil de Águas da Prata.
ABAIXO ASSINADO
No dia 22 de agosto, uma Paineira-Rosa com mais de 80 anos e 25 metros de altura foi cortada no bairro Fonte Platina, em Águas da Prata. A situação mobilizou moradores e ambientalistas, que questionam as circunstâncias da supressão e reivindicam transparência por parte do poder público municipal. Para reivindicar uma perícia independente e cobrar esclarecimentos, foi criado um abaixo-assinado que já conta com mais de 600 assinaturas.
Luis Augusto Galeni, um dos representantes do Movimento Coletivo Águas da Prata Viva, disse que especialistas atestaram que a Paineira estava sadia. “A justificativa da Defesa Civil foi a de que a árvore estava ‘condenada’, apontando diversos sinais de degradação e alegando que ela estava literalmente caindo. No entanto, esses mesmos sinais não foram encontrados por profissionais qualificados, dois engenheiros agrônomos, uma engenheira ambiental e dois biólogos, que afirmam categoricamente: ‘a árvore foi cortada estando plenamente sadia’”.
“Essa árvore era um ícone para caminhantes, corredores, ciclistas, turistas e moradores. Tinha altíssimo valor paisagístico e ecológico, pois abrigava uma rica biodiversidade de insetos e passarinhos. Tudo isso de nada valeu, nem ao menos sensibilizou aqueles que deveriam zelar pelo município”, completou Galeni.
Questionada sobre os argumentos para a retirada da Paineira-Rosa, a prefeitura de Águas da Prata informou que o corte da árvore foi realizado com base em laudo técnico emitido pela Defesa Civil, que atestou problemas fitossanitários do exemplar, bem como o risco potencial e progressivo de queda de grandes galhos, oferecendo perigo à população. A intervenção, segundo o executivo, também atendeu à solicitação da Companhia Elektro, tendo em vista que grande parte da copa da árvore encontrava-se sob a rede primária de distribuição de energia elétrica, representando risco à segurança e ao fornecimento de energia.
MAIS QUEDAS
As fortes chuvas que atingiram Águas da Prata na quarta (9) e na quinta-feira (10) provocaram a queda de mais seis árvores em diferentes pontos da cidade. Algumas ruas tiveram que ser temporariamente interditadas. A tempestade também gerou pontos de alagamento e causou danos na rede elétrica do município. Ninguém se feriu.
Neste fim de semana, há o risco de temporais com volumes elevados de chuva (podendo superar 100 mm/dia), descargas elétricas, queda de granizo e rajadas de vento acima de 100 km/h em toda a região. Além disso, existe também a possibilidade de tornados vindos do Paraná para os próximos dias.
A orientação é redobrar os cuidados, evitar áreas de risco e observar sinais de alerta, como movimentação de terreno ou ventos fortes. Em caso de qualquer emergência, acione a Defesa Civil pelo 199 e o Corpo de Bombeiros no 193.
DENÚNCIA EM SÃO JOÃO
A reportagem do O MUNICIPIO recebeu uma reclamação sobre uma árvore de grande porte com possível risco de queda na Fazenda Santa Cecília, localizada na zona rural de São João da Boa Vista. A situação será averiguada pela reportagem.
Todos os detalhes estarão na próxima edição do jornal, que será publicada na quarta-feira (16).




