Por Marcelo Gregório
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A empresa sanjoanense Ducans Participações Ltda, dona do grupo Lamesa, foi autorizada pela Câmara Municipal de São João da Boa Vista a doar duas áreas na avenida Rotary, avaliadas em R$ 2,48 milhões, para que a prefeitura amplie a capacidade do cemitério municipal São João Batista, na Vila Conrado.
O Projeto de Lei (PL) nº 67/2026, de autoria do prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PSD), foi votado e aprovado pelo Legislativo sanjoanense na sessão de terça-feira (8), pós-feriado. O documento justifica que o cemitério está próximo de atingir seu limite de ocupação, devido à pouca disponibilidade de áreas para novos jazigos e túmulos. Com a aprovação, a prefeitura poderá executar a regularização do prolongamento da rua Safira, via pública já existente, na Vila Gomes, com acesso à avenida Rotary. A Lei nº 5.668, de 9 de setembro de 2026, foi publicada na sexta-feira (11) no Jornal Oficial do Município.

A gestão municipal salientou que a doação das áreas representa economia aos cofres públicos, já que uma eventual desapropriação geraria altos custos. Em funcionamento desde 1894, na rua da Saudade, o cemitério tem 11.200 sepulturas, segundo o Executivo. Ao todo, cerca de 300 estátuas de mármore e bronze do escultor sanjoanense Fernando Furlanetto estão expostas no cemitério. Uma delas é a gigante escultura da família do coronel Christiano Osório de Oliveira.
DIMENSÕES DAS ÁREAS
As áreas doadas, ainda sem benfeitorias, foram avaliadas por três engenheiros nomeados pela prefeitura. A maior delas, com 6.272,67 m², para o aumento do cemitério, situada à avenida Rotary, está estimada em R$ 2.364.194,86. Já o terreno menor, com 723,91 m², está apreciado em R$ 112.256, 72.
Em caráter irretratável e irrevogável, as doações não poderão ser desfeitas ou canceladas, salvo situações previstas em lei. Quanto às despesas com escritura e transferência, a responsabilidade será da prefeitura. “O Executivo municipal recebeu, de forma gratuita, áreas doadas pela empresa Ducans Participações Ltda., o que desonera os cofres públicos de eventuais custos de desapropriação. Como contrapartida à doação, a prefeitura assumiu o encargo de regularizar o prolongamento da rua Safira”, garantiu.
A gestão pública frisou que embora não haja gastos com a compra da terra, os investimentos para a infraestrutura, adequação e preparação do novo espaço dependem da elaboração de um projeto executivo de engenharia e de sua respectiva planilha orçamentária. “A documentação apresentada ao Legislativo concentra-se estritamente na urgência administrativa atual, visando evitar o colapso do serviço funerário local e garantir a continuidade do sepultamento digno para a população”. encerrou.
HISTÓRIA
Antes de o cemitério ser transferido para a rua da Saudade, os sepultamentos ocorriam na área onde hoje está a praça Joaquim José, no Centro. Ao O MUNICIPIO, o historiador Antonio Carlos Rodrigues Lorette mencionou que à época o cemitério funcionava naquele local desde 1835, possivelmente até antes, e estava sob a administração da Igreja Matriz, atual Catedral. “Este cemitério foi desativado em 1894, mas o traslado dos corpos ocorreu até 1901”, afirmou. A cidade ainda possuía outra área destinada aos ‘escravos de nação’ que, segundo Lorette, eram sepultados no bairro do Rosário desde 1832. Em um triste capítulo da história, os escravos ficavam em quarentena na praça onde está a atual igreja, devido ao risco de epidemia de varíola. No local, situado no trecho final da atual rua Luiz Gama, também eram enterrados os acatólicos e outras pessoas não aceitas no principal cemitério de São João naquele período.




