Federação decepciona

Em janeiro de 1968, o sonho das diretorias da Esportiva e do Palmeiras em uma fusão do futebol – sem, no entanto, envolver os patrimônios – ficou pelo caminho graças à interferência do presidente da Federação Paulista à época, João Mendonça Falcão. O projeto visava colocar a cidade em evidência futebolística nacional, apoiado por abastados empresários e com aprovação maciça de associados e torcedores das duas equipes.

Com o afastamento temporário do Palmeiras da 1ª Divisão, após brilhante campanha em 1967 ao lado da Ponte Preta, XV de Piracicaba, Paulista de Jundiaí, Bragantino, entre outros, a união consistia em aproveitar atletas oriundos do alvinegro e a aquisição de reforços para o novo time, que teria a denominação de Sociedade Esportiva Palmeiras Sanjoanense.

Em fevereiro, tudo começava a ser delineado. Do Palmeiras faziam parte do elenco o goleiro Armando, Sula, Odilon e o goleador Alemão. Do Corinthians vieram Souza e Bataglia. Do Guarani, além do ex-zagueiro Heraldo como treinador, chegaram Nei e Vado. Do Comercial de Ribeirão, o goleiro Rui. Contatos foram feitos com o atacante Fedato, do Naciona-SP, que depois brilhou no Palmeiras da capital.

Com o acordo, os jogos seriam no Estádio “Dr. Oscar de Andrade Nogueira”, da SES, que passou por melhorias. Foi trocada a cobertura da arquibancada, houve o prolongamento do setor das gerais, cabines de imprensa foram reformuladas, uma “Tribuna de Honra” estava planejada e um estacionamento para 300 veículos estava demarcado.

Para o primeiro amistoso, dia 10 de março diante da Caldense, cerca de 5.000 espectadores estiveram na General Carneiro para acompanhar o empate em 1 a 1 no clássico regional. A SE Palmeiras Sanjoanense atuou com Armando, Hélio e Laércio; Nei, Aluísio e Souza (Robertinho); Vado, Nilo (Goiano), Alemão, Bataglia (Carlos) e Odilon. A Caldense teve em campo Nogueira, Espigão e Miguel; Zé Mauro, Romeu e Serginho; Batata, Paraná, Dejailton, Oscar Pintinho e Hélio.

O entusiasmo contagiou a cidade, mas eis que o político Mendonça Falcão resolve frustrar a tudo e a todos alegando que o estádio da Esportiva – a exemplo dos localizados em Batatais, Lins, Orlândia e Votuporanga – não comportava a quantidade mínima de público (10 mil pessoas) necessária para a 1ª Divisão. Estranho, pois um ano antes o nosso Palmeiras, com palco de menores proporções, havia disputado a mesma competição!


Leivinha Oliveira
[email protected]

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here