Muito mais que futebol…

A edição 2019 da Copa do Mundo de Futebol Feminino, sediada na França, não trouxe o tão esperado título. Mas mudou o rumo de muitas mulheres que fazem a prática e que há décadas pedem a mesma coisa: igualdade.

O mundial não só deu visibilidade, mas também voz às jogadoras que pedem melhores condições salariais, valorização e apoio.

Na última quarta-feira, 2 de setembro, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Rogério Caboclo, anunciava oficialmente a equidade salarial entre homens e mulheres convocados para a seleção. Além disso, a confederação também apresentou Aline Pellegrino e Duda Luizelli, duas executivas, para liderar a modalidade no País, que antes eram comandadas por homens.

Mas você deve se perguntar por que estamos comemorando tanto?
Até o final da década de 1970, instituída pelo governo de Getúlio Vargas, era proibida a prática feminina. O decreto-lei nº 3.199, de 1941, dizia que as mulheres eram “incompatíveis com as condições de sua natureza” e que o impacto poderia prejudicar a fertilidade. Com isso o esporte só saiu da ilegalidade em 1980.

A luta que dura há 40 anos traz boas perspectivas e esperança sobre o futuro da modalidade feminina no País, no momento em que uma nova geração surge. Traz sensação de que a CBF tenta corrigir erros e injustiças impostos no passado, para colher os frutos no futuro. E dá um importante passo para a visibilidade da seleção mundialmente, já que é quarta a equiparar os salários e premiações, atrás apenas da Nova Zelândia, Austrália e Noruega.

Sabemos que há muito a se fazer ainda, como melhorar as condições de trabalho, incentivar a prática, realizar campeonatos de base, mas um importante passo foi dado para que outras batalhas sejam vencidas.


Tamires Zinetti
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