Leishmanioses são as doenças causadas por espécies do protozoário Leishmania. São transmitidas pela picada dos insetos denominados flebotomíneos, conhecidos nas diferentes regiões do País como “mosquito palha”, “birigui” e “cangalhinha”. As mais conhecidas são a Leishmaniose Tegumentar (LT), que causa lesões na pele e mucosa; e a Leishmaniose Visceral Americana (LVA), que afeta órgãos e tecidos internos e manifestações mais graves.
A LVA acomete os animais e o ser humano. Chamada de “calazar”, é uma das zoonoses mais importantes do planeta. No Brasil, o principal reservatório do parasita são os cães, mas outras espécies de animais podem ser acometidas.
O parasita é transmitido pelo vetor chamado flebótomo. Diferentemente dos mosquitos, os flebótomos depositam seus ovos no solo, e não na água. As larvas se desenvolvem no solo úmido com matéria orgânica em decomposição (vegetais e fezes de animais). Daí a grande dificuldade para o seu controle. Os insetos proliferam-se nos quintais com solo fértil e com a presença de animais que também lhe servem como fonte de alimento.
DOENÇA NEGLIGENCIADA
O calazar envolve aspectos complexos na sua cadeia de transmissão, com características biológicas, ambientais e sociais de difícil intervenção preventiva e com poucas alternativas para o tratamento.
No Brasil, são notificados cerca de 3.000 casos novos por ano, especialmente nas regiões de maior vulnerabilidade social, e a letalidade é próxima de 9%.
A LVA é considerada como reemergente dentre os problemas de saúde pública: de uma doença outrora rural, para um problema urbano. Além de outros fatores, isso se deve a adaptação do vetor ao ambiente urbano.
EM SÃO JOÃO
São João é considerada como área silenciosa, receptiva e vulnerável, ou seja: com a presença do vetor em alguns locais, próxima às áreas com transmissão, mas, sem a confirmação de transmissão canina e humana. Inquéritos com pesquisa laboratorial dos cães têm resultados negativos nos últimos anos.
SEMANA NACIONAL
O Dia Nacional de Combate e Controle da Leishmaniose é celebrado no 10 de agosto. Faz parte do calendário oficial brasileiro e tem o objetivo estimular ações educativas e preventivas para conscientizar a sociedade; alertar a população, e promover discussões sobre políticas públicas de vigilância e controle.
PREVENÇÃO
A melhor forma é a prevenção da infecção dos cães. Existem vacinas disponíveis que servem para a proteção individual, mas ainda não são utilizadas como medida preventiva de massa. Coleira impregnada com deltametrina 4% é uma excelente alternativa na prevenção individual e coletiva.
A eliminação de matéria orgânica e higiene permanente dos quintais também é medida importante.
Galinheiros em quintais na zona urbana têm sido apontados como favoráveis à manutenção dos flebótomos e devem ser evitados.

Roberto Hoffmann é médico veterinário e ex-diretor do Centro de Controle de Zoonozes (CCZ)

