Emissora de respeito

No dia 19 de fevereiro de 1947 entrava no ar a ZYJ-6 Rádio Difusora de São João da Boa Vista, primeira emissora da cidade. Os responsáveis pela chegada deste novo veículo de comunicação foram Leopoldino Bueno – fundador e gerente comercial -, acompanhado dos filhos Dino (engenheiro eletrônico), Vicente (locutor) e Carminha, professora e também locutora.

A família Bueno mudou-se de Campinas para São João em agosto de 1946, época em que iniciou as instalações dos estúdios e transmissores. Um sucesso. Após quase 20 anos, a Difusora foi adquirida pela Rede Piratininga, a maior do Estado de São Paulo à época, passando a se chamar Rádio Piratininga. Nestes 73 anos de vida caiu nas graças da população com programações diversificadas e criativas.

Pode-se dizer que a fase áurea ocorreu no final dos anos 1950 e por quase toda a década de 60, quando a Difusora/Piratininga teve o privilégio de reunir uma equipe eclética, com extrema facilidade de se comunicar com o sanjoanense em coberturas de eventos. Locutores, comentaristas, repórteres e noticiaristas, além de conduzirem uma variada grade de programas internos, cobriam com maestria o esporte – futebol, basquete, natação e corridas de rua -, desfiles cívicos e carnavalescos, bailes de formatura e de Carnaval, Exposições Agropecuárias e apuração de eleições, como também organizar shows musicais num espaço interno do Teatro Municipal.

Um fato marcante neste período, no entanto, ficou gravado para sempre no setor esportivo. Em 1963, ainda como Difusora, a rádio teve o privilégio de conseguir linha e ser a pioneira do interior do Brasil a transmitir uma partida do Maracanã (que se tornaram duas), quando o Santos decidia o Mundial de Clubes com o Milan da Itália.

Amigo pessoal de David Nasser, renomado jornalista de O Cruzeiro e compositor de destaque, o gerente Jairo Sguassábia obteve a concessão. Seguiram para o Rio de Janeiro, além dele, o locutor Rogério Posi (Tulu) e o comentarista Severiano Palomo.

No auge de Pelé, o Santos vinha de derrota na Itália, 4 x 2, dia 16 de outubro, e necessitava de duas vitórias para chegar ao segundo título mundial. Em 14 de novembro veio a forra, pelo mesmo placar, numa virada histórica. Dois dias depois o Peixe levou o caneco vencendo por 1 a 0, gol de Dalmo. Uma epopeia para a comunicação radiofônica interiorana da época, com o registro do Peixe bicampeão do planeta!

Leivinha Oliveira

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