É fato que a pandemia da Covid-19 alterou sobremaneira as relações humanas e que talvez as sociedades se transformem radicalmente depois dessa dura experiência coletiva.
Felizmente, em meio às incertezas do momento, que inauguraram um “novo normal”, conseguimos sensibilizar uma parcela expressiva da nossa população a aderir aos cuidados preconizados pelas autoridades de Saúde, quanto ao uso de máscara e outras medidas de higiene, apesar de ainda oscilarmos negativamente nas taxas de isolamento social.
Mas a despeito desta dificuldade, foi o espírito colaborativo da maioria dos sanjoanenses que nos possibilitou a flexibilização da economia, a reabertura paulatina do comércio e a liberação de boa parte das atividades de prestadores de serviço, em consonância com o Plano São Paulo, do governo Estadual, no qual São João ocupa a faixa laranja.
Novos avanços dependem agora do comprometimento dos setores beneficiados pelo relaxamento da quarentena, para que sigamos com responsabilidade em direção à mudança de status no Plano São Paulo e à consequente ampliação do rol de empresas autorizadas a reabrirem suas portas.
Convém pontuar que, desde o início da pandemia, todas as decisões do Poder Público municipal referentes ao coronavírus são fundamentadas nas análises e apontamentos do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, composto por especialistas em Saúde Pública e instituído pela administração.
Após as primeiras reuniões técnicas deste Comitê, definiu-se a estratégia epidemiológica de atuação dos agentes de Saúde e estabeleceu-se o fluxo de atendimento entre Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e Santa Casa.
O passo seguinte foi o fortalecimento da Santa Casa D. Carolina Malheiros, o nosso hospital SUS, com o aporte de R$ 4,3 milhões de recursos do tesouro municipal.
Desse montante, R$ 1,8 milhão já foram repassados e outra parcela, do mesmo valor, está em fase de transferência, dependendo apenas da apresentação de um Plano de Trabalho pela Santa Casa. Da autarquia municipal UniFAE saíram R$ 1,5 milhão, somente para despesas referentes à Covid-19.
A par dessas ações, a Prefeitura, mesmo sendo proprietária do prédio do antigo Pronto Socorro, atualmente cedido para o funcionamento do ambulatório do UniFAE, recebeu do centro universitário contêineres para a montagem de uma estrutura que entrará brevemente em operação como centro de triagem de pacientes com sintomas gripais, servindo de suporte à UPA.
Já as deliberações relativas à flexibilização da economia resultam de diálogo constante junto a interlocutores do setor produtivo local: sindicatos, associações, clubes e representantes de trabalhadores de diversos segmentos seriamente impactados pela pandemia.
E particularmente no tocante à Covid-19, o desafio colocado, não só a São João da Boa Vista, mas a todas as cidades brasileiras é o de promover o equilíbrio entre a abertura segura e gradual da economia e o isolamento/distanciamento social, preservando vidas e empregos.
Circunstâncias inéditas a todos nós, que exigem novas abordagens e capacidade de adaptação, por isso incentivamos a participação e a pluralidade de olhares e perspectivas acerca do tema.
Não existe, portanto, no escopo de combate ao novo coronavírus em nossa administração, margem para achismos ou decisões unilaterais, pela razão maior de que há vidas humanas em jogo.
Só construiremos consensos e consolidaremos padrões de atuação se agirmos, sociedade civil e Poder Público, em conjunto. Algo complexo, mas possível de se realizar no contexto da maior crise sanitária deste século.

Vanderlei Borges de Carvalho é prefeito de São João da Boa Vista

