Que felicidade! Em meio ao caos, nosso governante máximo recebe uma distinta homenagem que o distingue da maioria: é agora parte do Fabulous Four. Espera… Mas esses não eram os Beatles? Será que Bolsonaro desistiu da política e resolveu ingressar em uma nada promissora carreira musical? Bem, só espero que não como cantor – muito menos se as letras forem em inglês. Nesse caso, teria que chamar seu filho Eduardo, cuja fluência na língua americana causa inveja a qualquer diplomata.
É, (in)felizmente não é tão já que veremos Bolsonaro e Seus Laranjas nos palcos do Brasil (até porque a orientação é evitar aglomerações, não se esqueça). O conjunto do qual faz parte traz uma mensagem muito diferente das propagadas pelo Quarteto de Liverpool; são palavras de negacionismo, obscurantismo e ignorância. Novos tempos, novos ídolos! Vamos conhecer a formação?
O mito atua ao lado do baixista e compositor Gurbanguly, do Turcomenistão, que escreve os hits do grupo sem utilizar as palavras “pandemia” e “coronavírus” – um desafio pessoal que o isola de qualquer tendência do resto do planeta; do guitarrista Alexander, de Belarus, afastado por problemas com consumo desenfreado de vodka; e do baterista Daniel, da Nicarágua, que às vezes some sem deixar vestígios por até um mês. Não é o panorama dos sonhos de nenhum produtor, certo?
Com isso, nem é de se admirar que o bandleader original e investidor majoritário do projeto tenha abandonado o barco há algum tempo. Estamos falando de Donald, dos Estados Unidos. Ele desertou os vocais do Fabulous Four e abriu caminho para que seu roadie e maior admirador, Jair, do Brasil, assumisse o posto como “quinto beatle”. Agora eles têm essa versão mixuruca de Now United cujos maiores sucessos são “Gripezinha”, “Vodka, Sauna e Caminhão”, “Ninguém Me Viu” e “Dentista Ditador”. Do antigo vocalista, ainda tocam os velhos “A Culpa é da China” e “Fronteira Fechada”.
Que saudade de quando nossos ídolos faziam jus a tal posição. John Lennon diria que “é preciso pensar globalmente e agir localmente”. Bolsonaro afirma que “quem é de direita, toma cloroquina; quem é de esquerda, Tubaína”. Fabuloso! Aliás, fabuloso mesmo foi esperar que qualquer integrante do Fabulous Four fosse dar ouvidos à razão, quando a ignorância é que está amplificada.
Quer adquirir entradas para as próximas apresentações? Não, né? Ingresso caro esse que compramos em 2018. A produção é barata, não tem conteúdo e ninguém se diverte. O som, aliás, tem distorção demais para o meu gosto – sério, tudo é distorcido por Bolsonaro, o ‘cara’ adora! ‘Taoquêi’?

Matheus Lianda, jornalista




