A renovação de gerações é um dos principais motores dos processos de evolução, sobretudo em uma sociedade que se transforma tão rápido e com tanta constância como a nossa. Os novos empreendedores aprenderam a viver em um mundo diferente, criam novas redes e tocam seus negócios de outra forma. Também ocupam espaços institucionais de maneira própria, inclusive espaços políticos.
Sucessores de empresas locais tradicionais já ocuparam espaços importantes, e junto com novas forças começam a exercer influência na cidade. Já assumiram a direção da Agência de Desenvolvimento, conselhos de Ciesp e Fiesp, clubes, candidaturas políticas, ONG’s, além postos fundamentais nas próprias firmas. Ou seja, tomam parte em decisões fundamentais e muitas vezes representando demandas de grupos de agentes por eles mesmos formados.
Os posicionamentos e atitudes destes novos agentes são mais importantes do que nunca. Nos últimos cinco anos o mundo vive um momento em que a legitimidade dos líderes nos negócios ganhou força, com alguns governadores no Brasil, Trump nos USA e o alinhamento da esfera pública à uma pauta mais simpática ao mercado. A nova geração de empresários herdará um novo ambiente político e coletivo, disposto a cooperar com eles para solucionar os mais variados problemas.
Dentro ou fora do poder público as opiniões e posturas individuais e coletivas do empresariado tendem a assumir um protagonismo na recuperação pós-crise. Fortalecer canais para conhecer suas propostas e tomar-se consciência da importância de suas demandas torna-se um desafio urgente, e integrar seus novos representantes neste processo é a garantia para a construção de um futuro promissor.

Marcos Rehder Batista, sociólogo, pesquisador em economia industrial




