Esportiva e o acesso frustrado

 

Completou 80 anos no dia 27 de abril o Estádio Municipal “Paulo Machado de Carvalho”, o charmoso Pacaembu. E foi neste palco de jornadas inesquecíveis – jogos pela Copa de 1950, abertura do Pan-63, decisões de Libertadores, Paulistas e Brasileiros, além do desfile de uma infinidade de craques -, que a nossa Sociedade Esportiva Sanjoanense também quase fez história.

Em 1952 a rubro-negra disputou, com um time extremamente forte, o Paulista da 2ª Divisão, em que 45 clubes de 40 cidades, divididos em cinco regiões, buscavam o ambicionado acesso à elite do futebol estadual. Colocada na 5ª Região, a SES brilhou nos dois turnos da 1ª fase: CA Piracicabano (0 x 0 e 2 x 0), Bragantino (4 x 0 e 3 x 1), Velo Rioclarense (5 x 0 e 4 x 1), Valinhense (2 x 0 e 2 x 0),  Inter de Limeira (0 x 2 e 4 x 1), Gran São João de Limeira (5 x 0 e 9 x 0) e Rio Claro (6 x 0 e 1 x 0).

Pelo Grupo 1 da 2ª fase, em jogos mais complicados, 3 x 1 e 1 x 2 (Linense), 1 x 3 e 3 x 0 (Paulista de Jundiaí), 2 x 1 e 1 x 3 (Botafogo de Ribeirão Preto) e 0 x 0 e 2 x 0 contra o São Caetano. Terminaram em primeiro a Esportiva, o Linense e o Paulista, sendo que, no Grupo 2, reinou absoluta a Ferroviária de Araraquara, primeira colocada e com vaga na final. O trio que dividiu a ponta do G1 fez um triangular no Pacaembu para ser definido o outro finalista.

Estendida até 1953 por um recurso do Jabaquara, rebaixado e brigando na justiça para se garantir na Segundona, a competição teve seu reinício no dia 10 de maio, quando a Esportiva perdeu para o Linense um jogo praticamente ganho, 3 a 2, após vencer o primeiro tempo por 2 a 0. O presidente Bilu Oliveira, a delegação e muitos torcedores que se deslocaram de ônibus ou em trem fretado à capital retornaram a São João da Boa Vista totalmente frustrados.

No dia seguinte, com a imprensa e as arquibancadas lotadas na General Carneiro, Bilu procedeu um fato inusitado: em um latão colocado no meio do campo, mandou atear fogo nas camisas 1 (do goleiro Lourenço), 3 (do zagueiro Saltore) e 9 (do atacante Benedito), que supostamente teriam se ‘vendido’: nada, no entanto, ficou provado contra eles.

Com a bola rolando novamente no Pacaembu, uma semana depois, o Linense bateu o Paulista por 3 a 2 e, na grande final, fez 3 a 0 na Ferroviária alcançando o acesso, tido como `favas contadas´ em favor da Esportiva, que desfez a equipe e retornou ao profissionalismo três anos depois, em 1956.

Leivinha Oliveira

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