Nasce uma arquibancada

Campeão de uma das Séries da 2ª Divisão em 1966, o nosso Palmeiras teve acesso à “Primeirona” do ano seguinte. Na companhia, renomadas equipes como Ponte Preta, Paulista, Bragantino, São José, XV de Jaú, Jabaquara, Inter de Limeira e Nacional da capital, entre outras. Porém, o time mais badalado era o XV de Piracicaba, um dos mais abastecidos financeiramente do interior do país graças ao comendador Humberto D´Abronzo, dono da famosa Caninha Tatuzinho e latifundiário de enorme potencial.

Ainda pelo 1º turno do certame de 1967, uma partida ficou eternizada para os sanjoanenses, no dia 23 de julho. O Palmeiras, ostentando uma invencibilidade de três anos em casa, recebeu o milionário time piracicabano, que aqui chegou sem derrotas e com um goleiro imbatível, Claudinei Freire, que na década seguinte veio a treinar o alvinegro.

A semana que antecedeu o jogo foi de tamanha procura por ingressos na região que a diretoria resolveu construir um lance de arquibancadas, a princípio de madeira, para atender a demanda. O local posteriormente passou a ser de cimento armado.

Com a bola rolando não foi possível ao Lobo da Vila conter o “Nhô Quim”. O jogo terminou em 4 a 2 para os visitantes, porém ficou o gostinho de o alvinegro ter vazado a defesa piracicabana, justo em cima do ex-ídolo palmeirino Donah, que aqui solicitou a titularidade na vaga de Claudinei.

O Palmeiras, do treinador Pepino – José D´Abronzo, piracicabano, ex-ídolo do próprio XV e sobrinho do comendador -, teve em campo Armando, Vado, Eduardo, Airton e Robertinho; Oscar Pintinho e Odilon; Fabrício, Colé, Alemão e Ali. Já o XV com Donah, Nelson, Piloto, Protti e Neves; Hidalgo e Joaquinzinho; Nicanor, Luís (Jair Bala), Geraldo Picolé e Warner, com a orientação de Armando Renganeschi. Na arbitragem, Dilson Barroso Moreira e a renda, recorde, somou NCR$ 10.800 com cerca de 6.000 pagantes.

O XV, fazendo prevalecer o favoritismo, levou o título após um triangular no Pacaembu, batendo o Paulista, 2 a 0, e o Bragantino por 4 a 3, obtendo o acesso à Divisão Especial em 1968. Ao Palmeiras restou o aumento do prestígio e, à sua torcida, a certeza de contar com um espaço a mais no estádio!

Leivinha Oliveira

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