Inúmeras mudanças de comportamento aconteceram nestas últimas semanas, da higiene à afetividade, e todas estas alterações devem gerar um novo padrão. Várias transformações serão abraçadas pelas pessoas, e nos próximos meses estaremos aprendendo um “mundo novo”. Ele emerge mais fulminantemente nas duas áreas mais sacrificadas: comércio e educação.
Para não ser engolido, o pequeno comércio buscou novas alternativas, e de repente multiplicaram-se as páginas, perfis e grupos no Facebook oferecendo produtos e serviços, com forte apoio da comunidade local. A tendência é focar em produtos e serviços customizados, através de imagens e catálogos eletrônicos atraentes e detalhados, algo já previsto em 2017 por Alex Pandini, presidente da ACE São João (Associação Comercial e Empresarial). Serviços de entrega também ganham força.
Em escolas, antes baseadas na concentração de alunos numa sala, desafia-se os professores a ensinarem com cada aluno em sua respectiva casa, através de atividades on-line. Isso está acontecendo em todos os níveis, desde o ensino fundamental até a pós-graduação. O uso de meios digitais no ensino parece um caminho sem volta, só não se tem a medida do quanto e quais novas tecnologias se estabelecerão.
Estas tecnologias que estão socorrendo o aperto do momento já eram conhecidas, mas não se esperava a implantação de tanta coisa junta em tão pouco tempo: não estão sendo alternativas, mas sim o novo modo de funcionamento. Temos uma nova realidade, outra conjuntura sobre a qual temos muito a aprender e descobrir, que ainda não se mostra de forma tão clara. Estamos diante de um novo mundo, não necessariamente pior.

Marcos Rehder Batista,
sociólogo, pesquisador em economia industrial

