Frota chega a 73,8 mil e plano de mobilidade ainda é estudado

Gargalo: avenida Dr. João Batista de A. Barbosa é das mais congestionadas em horário de pico (Ignácio Garcia/O MUNICIPIO)

Ainda sem um Plano de Mobilidade Urbana, São João da Boa Vista atingiu 73.847 veículos em dezembro de 2019, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP). Em comparação com igual intervalo de 2018, quando a frota era de 71.394, houve aumento de 3,4%, o que indica 2.453 veículos a mais em circulação em 12 meses.

Os números do Detran-SP ainda mostram crescimento no acumulado 2015/2019, com 8.211 unidades a mais no período observado. Entre dezembro de 2015 e o mesmo intervalo de 2016, 1.684 entraram em circulação na cidade; mais 1.702 de 2016 para 2017; outros 2.372 (2017/2018); e 2.453 unidades de 2018 para 2019.

Se levadas em consideração a média dos últimos quatro anos – de 2.052 veículos -, a estabilidade econômica e a expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto), além das projeções de crescimento das vendas de veículos para 2020 – com perspectiva de alta de 9,67% para o setor automotivo – conforme a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) -, calcula-se que, em uma década, a cidade poderá alcançar frota aproximada de 94,3 mil unidades.

E o crescimento apresentado nas estatísticas do Detran-SP ratifica os gargalos no trânsito sanjoanense nos últimos anos, especialmente em períodos de festas, como Natal e Ano Novo, bem como nos horários de pico ao longo da semana, onde o fluxo de veículos pelas principais vias da cidade fica atravancado.

O representante comercial Luis Antonio Pradella acredita que, embora a Prefeitura já tenha feito algumas intervenções em criar avenidas de interligação de um bairro para o outro, é preciso rever algumas ruas que são subutilizadas em São João para ‘destravar’ o trânsito.

“Essas vias podem perfeitamente se tornar viáveis para desafogar o trânsito de ruas que hoje são congestionadas, como a Ademar de Barros, 14 de Julho e a própria avenida Dona Gertrudes. É sempre aquele vício das pessoas saírem do Pratinha e já acessarem a Saldanha Marinho e a Ademar [de Barros]”, afirmou.

Segundo ele, na cidade, “não basta” sinalizar as zonas Norte, Sul, Leste e Oeste. “É preciso que tais sinalizações contem com rotas alternativas, que setores da Administração ligados ao trânsito se debrucem sobre um Plano de Mobilidade Urbana e comecem a analisar isso, porque será muito difícil a conscientização dos motoristas em mudarem suas rotas”, completou.

GARGALOS
Superintendente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo (Sincodiv-SP), Octavio Leite Vallejo voltou a dizer que, ao longo desses anos, talvez tenha faltado planejamento na infraestrutura viária urbana da cidade, o que explica os gargalos no trânsito.

“Pode ser que a questão da ampliação de vias e investimento no escoamento do trânsito não tenha sido vista como prioridade e atenção do poder público. O crescimento da frota cria, sim, tal gargalo, não sendo um problema exclusivo de São João”, disse.

Vallejo lembra ainda que, embora a frota de veículos esteja aumentando em função da oferta de crédito, diminuição dos juros, além do crescimento econômico, o número de habitantes por veículos no Brasil ainda é baixo frente a outros países.

O superintendente aponta também que o número de habitantes por veículo no País está em torno de 4,7 (hab/v), enquanto que na Argentina, por exemplo, é de cerca de três habitantes por veículo. Em países desenvolvidos como Estados Unidos e Alemanha, essa relação é menor (2 hab/v).

“Há espaço para crescer, mas o que vai fazer a diferença para o trânsito e a qualidade de vida nas cidades é um bom plano de mobilidade”, ponderou.

‘DESAFOGAR’
Chefe da Assessoria Municipal de Trânsito e Segurança, coronel Ademir Aparecido Ramos justifica que, diante do crescimento da frota de veículos, ‘desafogar’ o trânsito de principais vias para outras ruas da cidade é a pretensão dos urbanistas.

“Em São João não é tão simples: a topografia, a falta de avenidas planejadas, por ocasião do início da cidade. Ainda assim, procura-se adaptar, da melhor forma possível – o que é viável -, sem afetar drasticamente os costumes e os anseios dos usuários”, disse.

Segundo ele, para melhorar a fluidez, o Departamento de Gestão e Planejamento Urbano, por meio de seus técnicos, fechará convênio junto ao UNIFEOB para assessorar na elaboração do Plano de Mobilidade Urbana. “Após isso, será enviado para a Câmara, na forma de projeto de Lei, para sua aprovação”, disse, não especificando um prazo para o processo legal.

Questionado em relação ao crescente tráfego de veículos pesados pelos principais logradouros – avenida Dr. Oscar Pirajá Martins, por exemplo -, sobre a inclusão no Plano e adaptação de vias marginais e um futuro Anel Viário no entorno da cidade, Ramos limitou-se a dizer: “Para implantar um sistema de proibição de trânsito de veículos pesados, é necessário uma alternativa, devido às necessidades industriais, comerciais e de viabilidade possível, o que está em estudo no Plano de Mobilidade [Urbana]”.

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