Joaquim José analisa adesão ao Programa Ensino Integral

Por Ana Laura Moretto
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Alguns alunos, familiares e professores da Escola Estadual Coronel Joaquim José, no Centro de São João da Boa Vista, estão mobilizados diante da possibilidade de implantação do Programa Ensino Integral (PEI) na unidade. Atualmente, a escola funciona em período regular e recebe estudantes de diferentes bairros do município.

A professora Márcia de Andrade Bargas, que atua há 15 anos no Joaquim José e participa da mobilização contrária à possível mudança, esteve nesta segunda-feira (14), em São Paulo (SP), para apresentar uma manifestação da comunidade à Secretaria Estadual de Educação.

“É uma discussão que ultrapassa os limites da escola. Deve ser uma discussão com toda a comunidade”, afirmou.

JJ: escola atende 746 estudantes e está em análise para possível implantação do ensino integral (Arquivo/Marcelo Gregório/O MUNICIPIO)

QUESTIONAMENTOS
O MUNICIPIO teve acesso ao documento apresentado à Secretaria Estadual de Educação. Entre os questionamentos estão os possíveis impactos sobre o perfil dos estudantes atendidos pela unidade.

Segundo o documento, por oferecer ensino regular, o Joaquim José recebe alunos de diferentes regiões da cidade, inclusive de bairros onde já existem escolas com ensino integral. A possibilidade de estudar em período regular é um dos fatores que levam alguns estudantes a frequentar a unidade localizada na região central.

O documento também questiona como uma eventual mudança poderia afetar o público atendido pela escola e levanta dúvidas sobre transporte, vagas e alternativas para estudantes que não puderem ou não quiserem permanecer em uma jornada ampliada.

Outro ponto apresentado é a rotina dos alunos. Segundo a manifestação, há estudantes que trabalham, fazem cursos, praticam atividades esportivas ou possuem outras responsabilidades fora do horário escolar. Para as pessoas que participam da mobilização, essas situações devem ser consideradas antes de uma eventual alteração no modelo de funcionamento.

MOBILIZAÇÃO NAS REDES SOCIAIS
O grupo também vem se mobilizando nas redes sociais e por meio de uma petição pública, que reúne cerca de 264 assinaturas até o fechamento desta reportagem. Nas publicações, há comentários contrários à implantação do ensino integral, mas também manifestações de pessoas que defendem o modelo e apontam possíveis benefícios do PEI.

PREOCUPAÇÃO COM ENSINO NOTURNO
A professora Márcia também questiona os possíveis efeitos da mudança sobre o ensino noturno. “Atualmente, o Joaquim José é a única escola estadual do município que oferece essa modalidade. Penso que atender os alunos do ensino médio das 14h às 21h15 prejudicará o noturno. A organização da jornada poderia aumentar a demanda pelo período noturno, enquanto as salas permaneceriam ocupadas pelos estudantes do período da tarde até o início da noite”, falou.

No entanto, em resposta ao município, a Unidade Regional de Ensino (URE) de São João da Boa Vista, afirmou que caso a adesão ao ensino integral seja aprovada, o ensino noturno não integral será mantido no formato atual.

A URE de São João informou que a Escola Estadual Joaquim José ainda está em análise para integrar o Programa Ensino Integral. De acordo com o órgão, a localização da unidade, a diversidade dos estudantes atendidos e a atual função da escola como unidade de período regular estão sendo considerados no estudo de viabilidade.

Caso a adesão seja aprovada, a previsão é de jornada de sete horas, organizada em dois períodos: das 7h às 14h e das 14h às 21h. De acordo com a URE, o estudante poderá escolher o período mais adequado à sua rotina.

O órgão ressaltou que o ensino noturno não integral será mantido para atender estudantes que trabalham, fazem cursos ou possuem outras atividades e não podem permanecer na escola durante toda a jornada.

A consulta à comunidade escolar e os critérios para uma eventual mudança seguem o Decreto Estadual nº 66.799/2022. Até o momento, não há decisão definitiva sobre a implantação do programa na unidade.

A direção da Escola Estadual Coronel Joaquim José foi procurada pela reportagem, mas informou que a unidade não se manifestaria sobre o assunto e que a Unidade Regional de Ensino é responsável por prestar informações sobre a possível implantação do programa.

Atualmente, a escola atende 746 estudantes, distribuídos em 24 turmas, segundo dados da Secretaria Estadual de Educação, atualizados em agosto de 2026. A unidade conta ainda com sala de leitura, salas de atividades, quadra coberta e laboratórios de Ciências e de Informática.

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