A aposentada Benedita Aparecida Sassaron, 70, entrou em contato com a reportagem do O MUNICIPIO para denunciar a possível queda de uma árvore de grande porte no sítio onde mora, localizado após a Fazenda Santa Cecília, na zona rural de São João da Boa Vista. Quatro pessoas residem no local.
O exemplar de Guapuruvu, conhecida popularmente como Ficheira, fica apenas cinco metros atrás da casa da mulher. Benedita conta que já houve quedas no local. “É uma Ficheira muito enorme e já caíram outras duas árvores no sítio, entre elas uma Paineira. Está um perigo, então fico com muito medo. Se ela cair à noite, o que eu posso fazer? […] depois que essas despencaram no começo do ano, a gente está correndo atrás”.

A também aposentada Rosa Custódio, 76, é irmã de Benedita e mora no mesmo sítio, mas em outra casa. Ela diz que as providências já foram tomadas. “A Benedita foi em tudo quanto é lugar que mandaram […] no Ibama, na Fundação Florestal e na prefeitura. Eles falaram que viriam ver [a árvore], mas ainda não apareceram. O dono do imóvel já autorizou o corte […] quando dá um temporal, não consigo dormir pensando na minha irmã”.
O QUE DIZ A PREFEITURA
Questionada pela reportagem, a Prefeitura de São João da Boa Vista, por meio do Departamento de Meio Ambiente, afirmou que não recebeu nenhum pedido formal para o procedimento de corte.
A pasta também explicou como proceder em casos como o de Benedita Sassaron. “Na zona rural, a supressão de árvores exige que o proprietário solicite autorização prévia à Cetesb. Com o parecer favorável do órgão, cabe ao dono da área providenciar o corte. No entanto, se o exemplar estiver em uma estrada rural e apresentar risco iminente de queda — mediante avaliação da Defesa Civil —, a responsabilidade pelo serviço passa a ser da prefeitura”.
ÁRVORES PODRES
Identificar uma árvore não saudável pode não ser tão fácil como parece. De acordo com o biólogo Paulo César Franco, alguns sinais de problema nem sempre são evidentes nas plantas. “Mas a população de maneira geral pode se basear naqueles que são perceptíveis. Uma árvore é um ser vivo e tem um ciclo de vida, assim como nós adoecemos e, às vezes, não manifestamos um sintoma inicial. Com a planta é a mesma coisa”, explicou.
Segundo Paulo César, se o caule estiver soltando cascas facilmente, a árvore pode estar enfraquecida. “Em alguns casos nós percebemos uma podridão do caule, isso é perceptível. Insetos que estão se alojando podem provocar broca e uma quantidade grande de formigas. Às vezes, a gente percebe que já na base há alguma coisa de errado. Essa questão da casca saindo com facilidade não é um bom sinal para a planta e percebe-se podridão porque dá para tirar com facilidade. Se ela está danificada, facilita a entrada de microorganismos e até mesmo de insetos que podem perfurar, desestabilizando a estrutura e resistência do caule”, afirmou.
As folhas também podem indicar problemas. “Apresentou modificações, amarelão, pintas pretas, é indício de que alguma coisa não está bem. Se o maior percentual das folhas de uma árvore está alterado, a situação merece atenção e cuidado”, finalizou o biólogo. (M.P)b




