O eterno capitão Bellini deixou a Sociedade Esportiva Sanjoanense em 1951 para se consagrar no Vasco da Gama, ídolo que foi no clube por 10 anos antes de ingressar no São Paulo. Em São Januário, mais pela personalidade do que pelo futebol praticado, adquiriu enorme respeito, integrante e líder que foi de um elenco recheado de craques como Barbosa, Paulinho, Coronel, Écio, Orlando, Sabará, Almir, Roberto Pinto e Pinga, entre outros. Seu comportamento o levou inclusive a capitanear a Seleção Brasileira campeã pela primeira vez de um Mundial, em 1958, na Suécia.
Um de seus grandes amigos no Vasco foi o lateral-esquerdo Coronel (Antonio Evanil da Silva), que infelizmente nos deixou no último dia 05 de dezembro, aos 84 anos, no Rio de Janeiro, ele que vestiu a camisa cruzmaltina entre 1952 e 1964.
Bellini, devido às fortes ligações com São João da Boa Vista, sempre que pôde compareceu em eventos na cidade. Em 1967, por exemplo, a diretoria dos Veteranos Sanjoanenses o convidou para um amistoso beneficente no Estádio do Palmeiras, contra o famoso Scratch do Rádio da Bandeirantes, liderado pelo inesquecível locutor Fiori Gigliotti e que percorria o interior do país em partidas desta significância.
O capitão prontamente aceitou, e não veio só. Trouxe consigo o inseparável amigo de zaga no Vasco, Coronel. Atração principal daquela jornada memorável, Bellini estava confirmado com a camisa três do time sanjoanense e, chegando ao vestiário, solicitou aos líderes do time uma vaga para o parceiro, que sem dúvida seria um atrativo a mais a abrilhantar o espetáculo.
No entanto, como os Veteranos tinham um elenco “fechado”, de jogadores que somente deixavam a equipe por problemas muito sérios – em outras palavras, eram os denominados “fominhas” -, Coronel acabou sem espaço. Bellini, acatando a decisão, teve a ideia de levar o companheiro ao vestiário da Bandeirantes. O pessoal da emissora paulistana, ao se deparar com tão famoso personagem do futebol brasileiro, imediatamente o escalou entre os onze que iriam começar o jogo.
A bola rolou e, após os 90 minutos, os envolvidos rumaram a um jantar patrocinado pelo Lions Clube no Salão Nobre do Centro Recreativo Sanjoanense, onde todos naturalmente se divertiram com o episódio protagonizado pelos ex-jogadores vascaínos, adversários em campo naquela oportunidade. Mais uma das inúmeras passagens folclóricas que somente o futebol pode proporcionar!

Leivinha Oliveira
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