No topo do mundo!

Já são dez temporadas consecutivas marcando mais de 40 gols (o único!). Pela 6ª vez, com média superior a um gol por jogo. Aos 32 anos de idade e uma carreira recheada de recordes e títulos, Lionel Messi continua dando espetáculo em campo. Há quem conteste o incontestável: ninguém mereceu mais a Bola de Ouro 2019 que o argentino. A premiação, realizada pela revista francesa France Football, coroou Messi quatro anos depois de sua última conquista. Foi a 6ª Bola de Ouro do camisa dez – que agora, ao lado de Marta, é o maior vencedor do prêmio. Na ocasião, o craque desbancou o holandês Van Dijk, que fez grande temporada pelo Liverpool e Cristiano Ronaldo, seu velho conhecido nesses embates.

Há quem drible bem, como Neymar e Hazard; aqueles que são especialistas em cobranças de faltas, como David Beckham e Pirlo; os que pensam o jogo, tal qual Xavi e Iniesta; têm aqueles com faro de gol apurado, como Cristiano Ronaldo e Lewandowski. E tem Lionel Messi, que faz tudo isso com um quê de genialidade. Como dizer que ele não merece o topo do mundo? Qual outro jogador, individualmente, fez mais que Messi na temporada 2018/19?

O segundo colocado Van Dijk passou 65 partidas consecutivas sem levar um drible, foi importante na conquista da Champions League e protagonizou uma das defesas mais sólidas da última temporada europeia. Não seria loucura premiar um zagueiro, a questão é que do outro lado está Lionel Messi – jogador com maior poderio para resolver uma partida –, seja achando espaço onde não tem, com dribles desconcertantes, dando passes chaves ou marcando gols decisivos. De um lado, o maior driblador da temporada, do outro, o que menos foi driblado: a disputa desse ano foi protagonizada por dois jogadores com características muito diferentes, o que deu ainda mais prestígio para a vitória de Messi.

Fato é que, goste ou não do craque argentino, é impossível não se render ao seu talento. O começo, o meio e o fim de uma jogada: tudo passa por seus pés. A discussão sobre quem é melhor se torna pequena perto do futebol genial apresentado por Messi. Esta geração tem o prazer de vê-lo fazer o impossível. Às futuras, se apenas narrarmos suas brilhantes jogadas, talvez fique difícil de acreditar. Como explicar daqui a 50 anos o que foi aquele gol – antológico – marcado na final da Copa do Rei de 2015? A cada partida, Messi nos deixa sem palavras. Não seria justo se o mundo do futebol não lhe retribuísse com essa bola dourada. Desfrutem enquanto há tempo, porque depois será apenas história – “impressionante” por sinal.

Marina Borges
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