O racismo silencioso

Miscigenação, esta talvez seja uma das principais características de nosso país, o que nos torna únicos, com uma cultura extremamente rica e diversa. Portugueses, espanhóis, alemães, turcos, japoneses, bolivianos, mas prevalentemente africanos. Esta parcela representa a maioria, 55,8% da população.

Nesta semana pudemos ter um cenário da realidade de como negros e pardos estão inseridos especialmente na educação e na economia do país, através da divulgação do informativo de Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil do IBGE.

O cenário de inclusão melhorou muito nos últimos anos. Pela primeira vez, negros são maioria no ensino superior público, chegaram a 50,3% em 2018 (o que representa 55,6% de todos os jovens pretos ou pardos entre 18 e 24 anos, frente a 78,8% de todos os jovens brancos brasileiros). O estudo mostra que a população negra está melhorando os índices educacionais, tanto de acesso quanto de permanência.

Mas ainda podemos notar graves falhas sociais como o fato de negros terem 2,7 vezes mais chances de serem mortos do que brancos (IBGE), representam 64% dos desempregados do país e dos estão empregados, recebem 73% a menos do que os brancos. Os pretos ou pardos representavam 75,2% do grupo formado pelos 10% da população com os menores rendimentos.

Sempre fui uma grande inconformada com qualquer tipo de injustiça, seja ela por cor, gênero ou qualquer outra variável que não esteja relacionada com a capacidade intelectual dos indivíduos. Vejo o preconceito como uma grande perda de tempo e dinheiro para nosso país, ao deixar de tratar as pessoas de maneira meritocrática anulamos talentos, sem falar no grande mal intrínseco que é causado nas relações sociais para quem sofre.

Se queremos um país mais humano, justo e que atinja seu máximo potencial, devemos lutar para que aberrações como o preconceito deixem de existir.


Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social. Seu contato por email é [email protected] e pelas mídias sociais @carolcurimbaba

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