Muito se mudou no horizonte da alimentação e da busca por informação, mas ainda não temos muito o que comemorar. Pelo contrário, percebemos, a cada dia, que a obesidade infantil está crescendo no mundo todo, e no Brasil não é diferente. Um dos fatores que comprovadamente contribui com este quadro é a falta de informações adequadas para o consumidor nas embalagens dos alimentos, alertando para a existência de nutrientes prejudiciais à saúde nos rótulos.
É comprovado cientificamente que o atual modelo de rótulos de alimentos é difícil de ler, tem forte apelo publicitário e não informa claramente o que o consumidor precisa saber para fazer uma escolha alimentar saudável. Nesse sentido, o modelo mais adequado é o proposto pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) no qual os nutrientes críticos em excesso são informados em triângulos, simbolizando a noção de advertência de forma mais clara para os consumidores.
A sinalização com triângulos se contrapõe ao modelo proposto pela Anvisa, que defende a inclusão de uma lupa na parte da frente dos rótulos dos alimentos embalados alertando para o eventual excesso de açúcares adicionados, gorduras ou sódio. Além de não criar uma advertência ao consumidor, o Idec acredita que o modelo proposto pela agência pode confundi-lo.
Neste contexto, a busca por uma rotulagem adequada e que contribua para promover o acesso à informação é uma das principais estratégias para combater a existência de ambientes favoráveis ao desenvolvimento da obesidade.

Teresa Liporace é diretora-executiva do Idec

