Vira e mexe vemos aqueles rankings de produtividade das empresas e dos trabalhadores brasileiros versus os de países desenvolvidos como ao dizer que o brasileiro leva 1 hora para produzir o que o americano faz em 15 minutos, ou um alemão ou coreano em 20 minutos. Isso não significa que o funcionário é menos competente ou mais preguiçoso.
Ao buscarmos os motivos dessa diferença encontramos uma complexidade de fatores onde parte é responsabilidade do setor privado (empresas menos tecnificadas, menos eficientes), do setor público (falta de infraestrutura, logística, alta carga de impostos, leis trabalhistas que inibem a contratação) e também no trabalhador. Este último ponto é o que quero discutir.
Muito se fala sobre a precariedade do sistema de ensino do Brasil e, sem dúvida, esta é uma variável extremamente importante para arrumarmos e aumentarmos as competências intelectuais e técnicas dos nossos jovens. Nisso entram investimento em capacitação constante de professores, programa de excelência em gestão de escolas e creches, foco no aluno com um modelo educacional atrativo para as novas gerações e escola aberta para a família.
Mas será que esta é a única variável que influencia nas competências e capacidades dos futuros cidadãos e trabalhadores? Depois de muito conversar com famílias, assistentes sociais e professores, pude me atentar a um passo antes da escola, a estrutura familiar.
Mas meus instintos liberais me atormentam com a dúvida de até onde o Estado deve intervir na educação dentro de casa e acho que estou chegando a um pondo ponderado, partindo do princípio que, como sociedade, todos devemos nos responsabilizar pelo futuro de nosso país e isso passa no esforço para o suporte às crianças e aos adolescentes.
Desde a gestação (tipo de alimentação da gestante, estabilidade emocional, exames de pré-natal), passando pelo parto e pelos cuidados básicos de higiene, alimentação, estímulos intelectuais e motores na primeira infância, podemos atuar como sociedade e aprimorar estes conhecimentos nas famílias. Afinal esta é uma fase fundamental para o desenvolvimento cerebral, é a grande janela de aprendizagem. Pode parecer algo simples, mas o contato com famílias mais vulneráveis nos mostra que o básico do básico falta.
Este é um dos projetos mais importantes que quero me envolver durante toda minha vida, ajudando a espalhar os bons modelos já existentes com as prováveis adequações regionais.

Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social. Seu contato por email é [email protected] e pelas mídias sociais @carolcurimbaba

