Privatizando

Nesse mês o governo conseguiu concretizar o mapeamento do total de estatais da União, diretas ou indiretas, chegando ao incrível número de 637 empresas que representaram um rombo de R$9,3 bilhões em 2017 para os cofres públicos. Falando das estatais dos governos dos estados, o prejuízo somado foi de R$14 bilhões em 2018.

No início da industrialização brasileira, as justificativas para que o Estado assumisse o monopólio de certos mercados eram que:

I) Dificilmente algum empresário investiria em um país com tão pouca infraestrutura – engraçado o Estado ter derrubado grandes empresários e empreendedores que acreditaram em no Brasil, como o Barão de Mauá (Irineu Evangelista de Souza, comerciante, armador, industrial e banqueiro brasileiro) e Percival Farquar (empresário americano que teve seu projeto prejudicado pelo então governador de Minas Gerais, Artur Bernardes, e em seguida suas reservas de ferro encampadas pelo ditador Getúlio Vargas).

II) Mercados estratégicos devem ficar nas mãos do Estado. Outro ponto contraditório, uma vez que, no meu entendimento, alimento e água são bem mais estratégicos do que petróleo, nem por isso o Estado resolveu se intrometer no agronegócio (por sorte do Brasil).

Quando pegamos os principais mercados que o Estado resolveu ser empresário e comparamos com uma das economias mais livres, os Estados Unidos (EUA), é indiscutível como ficamos para trás: Entrega de encomendas (Brasil apenas com os Correios com preços altos, serviço precário e constante prejuízo ano após ano – EUA incontáveis empresas privadas eficientes, preços muito mais competitivos e lucrativas); extração e refino de petróleo (não precisamos nem comentar, é só olhar para o preço que pagamos nos combustíveis).

As vantagens da privatização com abertura de mercado para concorrência: mais empresas entrarão no país para competir, mais empregos serão gerados (empregos estes baseados na qualidade do funcionário), mais produtos no mercado, maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento uma vez que as empresas precisarão inovar para se diferenciarem entre os concorrentes, preços mais baixos para o consumidor e melhor qualidade.

Em um país onde não conseguimos entregar saúde, educação e segurança com mínima qualidade, não deveríamos estar preocupados em virar um governo empresário.

Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social. Seu contato por email é [email protected] e pelas mídias sociais @carolcurimbaba

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