Uma vergonha brasileira

Se há um tema que estamos lá embaixo no ranking mundial é o investimento em saneamento básico. Atualmente, 43% da população vive em cidades sem rede de tratamento de esgoto (90% no Norte contra 17% no Sudeste). Sobre água, ainda resta 35% da população sem serviço de água tratada no país.

As consequências da falta de saneamento são impactantes para o Brasil:

Ameaça à saúde pública (muitas doenças podem proliferar como: Leptospirose, Disenteria Bacteriana, Esquistossomose, Febre Tifóide, Cólera, Parasitóides, além do agravamento das epidemias tais como a Dengue);

Desigualdade Social (especialmente em regiões com habitação irregular);
Poluição dos recursos hídricos (em muitas periferias os esgotos sanitários e o lixo doméstico são frequentemente jogados nos rios sem qualquer tratamento, assim como empresas que não cumprem a lei de descarte);

Poluição Urbana (limpeza urbana e o manejo correto de resíduos sólidos ficam comprometidos, o destino correto do lixo são os aterros sanitários);

Improdutividade (segundo o Instituto Trata Brasil, a renda per capita do Brasil aumentaria em 6% se todos os brasileiros tivessem os serviços básicos. Além disso, 11% das faltas do trabalhador estão relacionadas a problemas causados por falta de saneamento).

O tema é tão relevante que, nesta semana, o novo presidente do BNDES, Montezano, falou que são prioridade para o banco os projetos dos estados direcionados para uma solução, especialmente os que envolvem desestatização.

Dos 5.570 municípios do País, apenas 85 deles têm todas as condições de oferecer um sistema de saneamento básico digno à população. Saneamento básico está longe de ser uma prioridade para a esmagadora maioria dos administradores públicos no Brasil, afinal, na visão ignorante e imediatista destes, cano embaixo da terra não costuma dar voto.

Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social. Seu contato por email é @carolcurimbaba.com.br e pelas mídias sociais @carolcurimbaba

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