Em Dezembro de 2018, a organização Todos pela Educação lançou um estudo-proposta para melhorar a educação básica brasileira. Destacando o fato de ser ela quem garante aos indivíduos sua plena liberdade, ao passo que pessoas mais bem instruídas tendem a fazer escolhas que mais lhe satisfarão em qualidade de vida, trabalho e família.
Não há dúvidas que o cenário quando comparamos com o Brasil de 50 anos atrás melhorou. Com o crescimento econômico, mais crianças passaram a ter acesso à escola (de 48% de jovens entre 4 e 17 anos que frequentavam a escola em 1970, passamos a 96.4% em 2017, segundo o PNAD) e também aumentou o rendimento escolar.
Mas nossas dificuldades são do tamanho de nosso território. Somos um país continente, 5.570 municípios com suas especificidades de carências e culturais. O tema da educação é ótimo para ganhar votos, mas, por demorar a aparecerem os resultados, não parece vantajoso para alguns políticos. Não temos uma cultura de valorização de professores e diretores, nem mesmo de premiação por eficiência do trabalho. Sem falar em um planejamento nacional.
Além disto, o que mais preocupa é a qualidade do nível educacional dos jovens que terminam o ensino médio, os resultados do Ideb estão aumentando, mas ainda vagarosamente, com nota 4.7 em 2017. Neste mesmo ano, apenas 59,2% dos jovens brasileiros com 19 anos já haviam concluído o ensino médio. Os estados AM, PA, BA, SN e RN são os que apresentam maior distorção idade-série.
Os benefícios de um povo educado vão além de profissionais de maior valor agregado e eleitores mais bem informados. Há evidências bem estabelecidas entre indicadores educacionais e a saúde dos indivíduos, a redução da mortalidade infantil, aumento da aprovação do sistema democrático, redução de crimes, entre outras medidas de bem-estar da população.
Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social

