Algo que não faz parte da cultura do Brasil é o planejamento a longo prazo. Ao estudar os movimentos políticos e econômicos chineses, por exemplo, vemos que são todos dentro de um plano maior de longo prazo.
Pode-se dizer que é mais fácil por serem uma ditadura e controlarem a política e a economia, mas isso ocorre também em nações democráticas como Noruega, por exemplo, que optou por utilizar o capital provindo da extração de petróleo para investimento na sociedade (educação, saúde e segurança para todos), em 50 anos passou de país mais pobre da Europa para um dos mais prósperos e livres economicamente do mundo. Além dos demais países da Europa rica que baseiam seu desenvolvimento em um plano sustentável de crescimento onde políticos, empresas e cidadãos estão envolvidos no processo.
Quando observamos a maioria dos países democráticos que alcançaram uma prosperidade econômica sustentável, notamos que as questões básicas sociais estão relativamente sanadas. Alta, se não plena, alfabetização com qualidade, acesso à saúde para todos, e segurança física e jurídica para viver, trabalhar e empregar com liberdade.
Por isso, devemos passar a pensar politicamente em nosso país com foco em prosperidade econômica a longo prazo e sustentável. Para alcançarmos esta ousada meta, devemos focar em dois principais pilares:
– Jovem: estrutura familiar e educação básica e técnica de qualidade e completa. Tornando nossos jovens, cidadãos mais completos.
– Trabalho: Criação e geração de emprego de qualidade, o que está diretamente ligado ao fator educacional, (devemos considerar a crescente automatização das empresas, forçando maior qualificação dos profissionais para preservarem seu espaço no mercado de trabalho).
E extremo respeito ao empreendedor, que é o tomador de risco, é quem gera emprego e viabiliza riqueza.
Para que isso aconteça, diversas ações de curto e médio prazos nas áreas também de saúde e segurança devem ser tomadas. São ações imediatas, mas não imediatistas. Não podemos cair no discurso populista, que promete o impossível para o cidadão e entrega menos do que o possível.
O Brasil é uma potência, só falta uma gestão na área pública consciente, de longo prazo e responsável.

Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social

