Ao sentar-se para escrever o artigo desta semana, não tinha definido como tema falar sobre o Governo Bolsonaro, sua família e todos os deslizes cometidos nesses pouco mais de sete meses de mandato. Queria tratar de algo mais brando, porém, ao saber da intenção do presidente, que cogita nomear o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) – um de seus cinco filhos – embaixador do Brasil nos Estados Unidos, não há como falar de outro assunto.
Bolsonaro deu a declaração ao ser questionado por repórteres sobre essa possibilidade em uma entrevista coletiva concedida, na última quinta-feira. Por sua vez, Eduardo, em outra entrevista, na Câmara, admitiu que está disposto a renunciar ao mandato de deputado federal para assumir o comando da embaixada brasileira em Washington.
A representação do Brasil em Washington está sem embaixador desde abril. Bolsonaro justificou a mudança com o argumento de que a imagem dele não estava boa no exterior.
O presidente, que sempre defendeu a meritocracia, quando se trata da própria família, parece esquecer o discurso. A possível indicação de Eduardo Bolsonaro pelo pai para a embaixada nos EUA pode, inclusive, configurar nepotismo, pois a Constituição brasileira afasta a possibilidade de o presidente nomear o filho.
O colunista de O Globo e da Globo News, Guga Chacra, informou que apenas um rei saudita nomeou o filho embaixador nos Estados Unidos. A Arábia Saudita é uma monarquia absolutista.
Eduardo Bolsonaro não estudou no Instituto Rio Branco, a escola diplomática no Brasil, não cursou universidade na área de Relações Internacionais (é graduado em Direito) e, por consequência, tem pouquíssima ou nenhuma experiência na área.
A escolha do embaixador deve passar pelo plenário da Comissão de Relatores Exteriores. Se aprovada, a indicação vai ao plenário principal do Senado.
Resta aos senadores desfazer a mais nova atitude patética do Planalto.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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