Armas e livros

O Ministério da Educação anunciou na última terça-feira que todas as universidades federais do país sofrerão corte de 30% em seus orçamentos.

O ministro da Educação Abraham Weintraub afirmou na semana passada ao jornal o Estado de S. Paulo que cortaria recursos de universidades que não tivessem bom desempenho acadêmico e promoverem “balbúrdia”. Três universidades haviam sido enquadradas nesses critérios e tiveram repasses reduzidos: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). Depois, a pasta afirmou que o corte se estenderia a todas as universidades.

Os institutos federais também já identificaram cortes orçamentários. O impacto deve ser sentido também por estudantes de São João da Boa Vista, que possui um campus na cidade.

Os impactos serão diretos: dificuldade de pagamento das contas de água e energia e dos contratos de prestação de serviços, como limpeza e segurança, manter o funcionamento de restaurantes universitários, única possibilidade de alimentação de muitos estudantes.

Programas de assistência a alunos de baixa renda também estão ameaçados, além, é claro, das atividades acadêmicas e bolsas de estudo para pós-graduação, que devem ser cortadas.

É o sucateamento definitivo da educação universitária pública no país. Esta asfixia financeira é indefensável, pois 99% da produção de Ciência e Tecnologia no Brasil é feita por instituições públicas, o contrário do que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou recentemente, em entrevista ao jornalista Augusto Nunes, da Rádio Jovem Pan.

Um país que celebra o armamento da população e relega a educação de qualidade nunca sairá da condição de subdesenvolvimento.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados. [email protected]

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