O músico Evaldo Rosa dos Santos ia com sua família para um chá de bebê. Militares do Exército dispararam mais de 80 tiros contra seu carro. No automóvel estavam cinco pessoas, entre elas uma criança de sete anos. Evaldo morreu na hora.
A primeira explicação do Comando Militar do Leste foi que dois criminosos dentro de um veículo haviam atirado contra a equipe e que os militares “responderam à injusta agressão” e como resultado “um dos assaltantes foi a óbito no local”.
Para a Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio de Janeiro, não há nenhum indício de que os ocupantes do carro fossem bandidos ou tivessem reagido a abordagem dos militares. A Polícia ainda afirma que “tudo indica” que o veículo foi confundido com o de criminosos. Dos 10 militares envolvidos no caso, nove já estão presos.
Desde domingo, 07 de abril, – até a noite de quinta-feira –, o Presidente Jair Bolsonaro (PSL) havia postado 41 vezes em seu Twitter, sua principal ferramenta de comunicação com seus eleitores. Ele, que é capitão do Exército e comandante Supremo das Forças Armadas, na qualidade de Presidente da República, mesmo com a produção frenética na rede social, não fez qualquer menção sobre o assassinato. Durante a cerimônia comemorativa dos 100 dias de seu governo, novamente nenhuma palavra. Tratou do caso apenas por meio do porta-voz da Presidência Otávio Rêgo Barros: “que esse caso seja o mais rapidamente elucidado”, limitou-se a dizer.
Um brasileiro negro, trabalhador, de família simples, foi injustamente acusado de ser um bandido e fuzilado por membros do Exército na frente de seu filho de sete anos e de sua esposa.
O que fez o “mito” de quase 58 milhões de votos? Calou-se.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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