Prendê-lo-ei

Michel Temer está preso. Pelo menos até o momento em que este artigo está sendo escrito.

A investigação está relacionada às obras da usina nuclear de Angra 3. O Ministério Público Federal diz que uma das empresas do consórcio responsável pelo projeto pagou propina de R$ 1 milhão ao grupo de Temer.

O ex-presidente é acusado pelo Ministério Público Federal de liderar há mais de 40 anos um esquema criminoso que recebeu até 1,8 bilhão de reais de propina.

Na sentença, o juiz Marcelo Bretas diz que as prisões preventivas são necessárias para garantir a ordem pública. Segundo ele, “uma simples ligação telefônica ou uma mensagem instantânea pela internet são suficientes para permitir a ocultação de grandes somas de dinheiro, como parece ter sido o caso”. Há juristas que contestam o modus operandi da prisão.

Michel Temer já havia sido denunciado em dezembro na Lava Jato, em um processo que corria no Supremo Tribunal Federal (STF), por lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva em um caso envolvendo o setor portuário de Santos.

O que permitiu a prisão foi, que ao deixar a Presidência em janeiro, Temer perdeu o direito ao foro privilegiado e seus processos foram remetidos à primeira instância. Durante seu mandato, a Câmara dos Deputados rejeitou que fosse aberto processo criminal contra ele, por crime de corrupção passiva.

Até o momento o saldo “presidencial” brasileiro recente é o seguinte: Collor renunciou por denúncias de corrupção, Dilma Rousseff sofreu processo de impeachment, Lula e Temer estão encarcerados. O sistema político brasileiro está corroído.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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