Neste mesmo espaço, há poucas semanas, tratei da inaptidão do colombiano Ricardo Vélez Rodríguez para o cargo de ministro da Educação.
São tantas falas impróprias e atitudes sem a menor noção da importância do Ministério que ocupa, que em 2019 já temos duas certezas: no Natal terá especial do rei Roberto Carlos na TV Globo e o ministro Vélez Rodriguez irá dizer mais uma asneira.
A pérola da vez: O Ministério da Educação enviou um comunicado para diretores de escolas públicas e privadas de todo o Brasil pedindo que, “no primeiro dia da volta às aulas”, os alunos sejam perfilados para a execução do hino nacional. Logo após, deveria ser feita a leitura de uma carta do ministro, que se encerrava com o slogan da campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PSL), “Brasil acima de tudo. Deus acima de todos”. O MEC pediu ainda que o momento fosse filmado e o arquivo de vídeo, enviado ao governo.
Além do fato do pedido de gravação ferir a privacidade de alunos, professores e funcionários das escolas (a Constituição garante a inviolabilidade da intimidade e da privacidade e o Estatuto da Criança e do Adolescente é ainda mais rigoroso) a reprodução do slogan de campanha do presidente configuraria “apropriação da coisa pública para interesses particulares”.
A boa e velha prática da “Escola sem partido”, desde que seja do adversário político. Após as críticas, Vélez Rodríguez admitiu o “erro”. Nesta sexta-feira, o MEC enviou às escolas a terceira versão da carta explicando que “por questões técnicas de armazenamento e de segurança, o ministro decidiu suspender o pedido de filmagem e de envio dos vídeos por e-mail”.
A fraquejada demonstra que, além de não fazer a menor ideia de como dirigir o MEC, não existe nenhuma proposta concreta para melhorar a péssima educação pública brasileira.
O governo parece ter esquecido que aluno sem alfabetização não aprende a cantar hino.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados. [email protected]




