O invasor americano

Está disponível no catálogo da rede de streaming Netflix o documentário
“Where to Invade Next” – em português “O invasor americano”.

Nele, o premiado cineasta Michael Moore (de Tiros em Columbine) visita países como França, Itália, Alemanha, Finlândia, Suécia, Portugal, Tunísia para conhecer políticas públicas de sucesso nesses locais e como os americanos podem aprender com os europeus sobre legislação trabalhista, modelos de educação, sistema de saúde, sexo e igualdade de direitos.

O mote é “invadir” esses países e “roubar” as ideias que deram certo para levá-las aos Estados Unidos. Moore, usando o sarcasmo e o deboche habituais, mostra que os Estados Unidos podem aprender com o resto do mundo e não tentar impor seus costumes como faz habitualmente (segundo a visão do diretor).

Nas “invasões”, o documentarista propõe que a nação mais poderosa do mundo acabou se distanciando dos ideais humanistas que inspiraram seus principais fundadores, negligenciando as relações de trabalho, a alimentação de seus jovens, seu sistema prisional, o combate às drogas, entre outros delicados temas.

O invasor americano satiriza justamente o fato de boa parte da elite intelectual (aqui no Brasil e também na Europa, por exemplo) utilizar os Estados Unidos como um modelo de progresso, bom funcionamento das instituições e organização.

A lição deixada por Moore é que muitas das atuais conquistas civilizatórias foram originalmente criadas e instituídas pelos americanos. Porém, no decorrer da história, eles próprios as deixaram de lado.

Um aprendizado interessante, que serve também para os brasileiros. Conhecer a própria história – dar valor a exemplos de sucesso utilizados em países desenvolvidos – é uma excelente maneira de não repetir erros e colecionar fracassos.


Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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