Gerações em Choque

Alguns assuntos ligados ao universo profissional parecem chegar a nós como o mar chega à praia: em ondas. E como, por força das minhas atividades, sou obrigado – e adoro – varrer as principais fontes de informação dessa área o tempo todo, acabo sentindo quando um tema reemerge com força renovada. Estou falando de “conflito de gerações”, um assunto que já esteve grande evidência, ficou anestesiado e agora parece voltar aos palcos com novo fôlego.

E o desafio é grande. Pela primeira vez na história existem quatro gerações convivendo simultaneamente dentro das organizações. De mega multinacionais a pequenas lojas. Os ruídos são intensos, com cada grupo se perguntando como o outro pode ser tão estranho e com hábitos e perspectivas tão pouco compreensíveis. E os comentários ácidos se espalham como fogo em palha. “Você viu que ele não sabe montar uma planilha?; “O pessoal dessa idade não sabe lidar com as pessoas.” ; “Como eles são resistentes as mudanças.”; “Eles não querem nada com nada.”

E implícita ou explicitamente a pergunta fatal se faz presente: “Como podemos fazer para que a outra geração nos entenda e perceba que o nosso jeito de ser é que faz sentido?”. O resultado é o aumento da dificuldade de trabalhar junto. Ruim para todos.

Resgato a conclusão de um debate no qual tive a oportunidade de participar no penúltimo Congresso Global de Treinamento e Desenvolvimento em Dallas, TX: “O caminho não é discutir quem está certo ou errado, nem qual é o melhor ou o pior jeito de fazer as coisas, mas aprender como usar o que cada geração tem de melhor para produzir o melhor resultado.” Quando a visão ampla e disciplinada dos Baby Boomers (1945-1964) se junta a ambição e dinamismo da Geração X (1965-1984), com a praticidade e propósitos da Geração Y (1985-1999) e com a capacidade de lidar com tecnologia e inovar da iGen (2000-2009), o potencial se multiplica enormemente.

O mesmo vale para as relações pessoais e dentro da família. Unir forças sempre foi e sempre será o caminho para a harmonia e prosperidade. Mas para isso é fundamental começar a se preocupar mais em entender do que ser entendido. Querer mais aprender do que ensinar.

Yuri Trafani
[email protected]

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