As inverdades da minissérie

Tive o prazer de reencontrar o amigo Flávio Araújo, brilhante locutor esportivo da Rádio Bandeirantes entre 1957 e 1981, depois Gazeta, de 82 a 86. Entre as inúmeras transmissões na carreira, esteve em cinco Copas do Mundo (entre 1966 e 1982), no primeiro título mundial de Émerson Fittipaldi (Monza-72), no milésimo gol de Pelé (Maracanã-69) e quase na totalidade das lutas de Éder Jofre, a lenda do boxe.

Em nosso bate-papo em Poços de Caldas, onde curte a aposentadoria, Flávio se mostrou indignado com o conteúdo da minissérie exibida pela Rede Globo sobre a carreira de Éder – “10 segundos para vencer”.

Disse-me ter sido convidado pela emissora para participar, por ter narrado a maioria das lutas, mas pelo falecimento da esposa, Yvette, na época das gravações, não pôde atender o convite. Porém, assinou um termo de concordância para que utilizassem suas transmissões na produção.

Além do privilégio de ter acompanhado de perto a carreira do pugilista, Flávio Araújo prezava pela amizade com Kid Jofre (pai e treinador do campeão), que o incentivava para treinamentos na academia. Esta aproximação fez com que as famílias estreitassem a relação de amizade.

Mas, voltando à minissérie da Globo, diz Flávio ter sido construída em cima de sucessivas mentiras. As lutas exibidas, contra Joe Medel e José Legra, são figurações com sósias dos lutadores e as narrações trazem créditos como sendo suas e de Pedro Luiz. Não são de nenhum dos dois.

Sobre Kid Jofre, papel exercido pelo ator Osmar Prado, Flávio diz jamais ter sido agressivo com Éder, como o documentário exibe. Tinha momentos de azedume, mas era um admirador do filho e homem de bom trato, gozador e piadista inveterado. Quanto às atuações dos empresários, jamais foram ‘malandros’ como sugere a película.

E para completar a sequência de absurdos, Flávio cita que Éder não ganhou o mundial dos galos contra Joe Medel, como exibido, e sim sobre José Becerra, também mexicano.
Finalizando, o ex-locutor considera que a minissérie não fez justiça à maior dinastia do boxe brasileiro. Afinal, Éder, em 1965, na luta contra Fighting Harada em Nagoia (Japão), protagonizou a transmissão de Flávio Araújo com o recorde de audiência individual (99%) jamais batido em todo o país, pela Bandeirantes, compartilhada por cerca de 320 emissoras.


Leivinha Oliveira
[email protected]

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here