É possível que uma das suas resoluções para o ano que começou, seja melhorar em alguma atividade que realiza. Num esporte, num hobby ou mesmo em alguma dimensão da sua profissão. Se fez isso, ponto para você, já que existem evidências suficientes de que um dos ingredientes da vida plena é a sensação de competência. Poucas coisas são tão boas quanto olhar no espelho e dizer: você é bom nisso! Melhor ainda quando existe o reconhecimento alheio de suas qualidades. Somos seres sociais, e por mais que digamos que “o que os outros pensam, não interessa”, apreciamos ser apreciados.
Bom … o fato é que você quer ser mais competente em alguma coisa. E existe uma tendência de achar que melhoramos quando praticamos. Então você se programa para cozinhar mais, jogar mais tênis ou travar mais batalhas no video game. Mas depois de vários meses nesse novo ritmo você percebe que evoluiu muito pouco ou que continua mais ou menos no mesmo nível. E pensa: “Por quê? Se estou praticando mais não deveria estar melhor?” Talvez não. Pelo menos é o que dizem os estudos de Anders Ericsson, Professor de Psicologia da Flórida State University. Neles, fica claro que quando você começa a treinar qualquer habilidade, progride rapidamente até um nível considerado satisfatório, e a partir desse momento permanece num platô de competência, indefinidamente. A única maneira de progredir a partir daí é praticar usando princípios mais elaborados, que Ericsson chama de “Prática Deliberada”, cujo estado intermediário é o que ele dá o nome de “Prática Intencional”, que tem as seguintes características:
• Objetivos Específicos: você precisa definir exatamente que parte da habilidade quer melhorar e ter uma forma de medir se está melhorando. Por exemplo: quero acertar o meu saque em oito de cada dez tentativas.
• Foco: sua mente precisa estar concentrada no que você quer melhorar e atenta para o que você está fazendo. Por exemplo: quando treina com um professor você está fazendo isso, no jogo com os amigos, não.
• Feedback: você ou alguém que te ajuda precisa dizer se você está fazendo certo ou não a cada vez que tenta fazer melhor. Por exemplo: alguém precisa observar seu movimento no saque e dizer o que você fez errado.
• Zona de Conforto: você precisa estabelecer desafios que estão além da sua capacidade atual. Por exemplo: jogando contra alguém que é melhor que você.
Note que a prática intencional não é divertida, mas exigente. Então não vale a pena sair por aí usando-a para tudo. Se você joga com os amigos para se divertir e já está num nível que te deixa satisfeito, apenas jogue e aproveite. Mas se você quer subir um degrau, considere lançar mão desses princípios. Ou seja: escolha bem as suas batalhas e invista de verdade naquelas que valem a pena.

Yuri Trafane
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