A velha política

Todo bom gestor de crise costuma aconselhar: se tiver alguma boa explicação para dar sobre qualquer problema que tiver, o faça o mais rápido possível. Assim, não dará tempo para que surjam dúvidas e questionamentos sobre sua boa fé.

Para Fabrício Queiroz e o Senador eleito Flávio Bolsonaro ou falta uma boa explicação ou um bom conselheiro.

Aguardado no Ministério Público na última quinta-feira para dar esclarecimentos sobre a movimentação financeira atípica de funcionários de seu gabinete denunciadas pelo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), o senador Flávio Bolsonaro não apareceu.

Na terça-feira, familiares de Fabrício Queiroz, ex-motorista de Flávio (sua movimentação financeira registrou R$1,2 milhão, segundo o COAF, e em entrevista ao SBT o assessor disse que o dinheiro era porque “comprava e vendia” carros) também não foram ao Ministério Público.

Flávio Bolsonaro disse, por meio de nota, que reafirma que não pode ser responsabilizado por atos de terceiros, “como parte da grande mídia tenta, a todo custo, induzir a opinião pública”. O velho e tosco hábito de culpar a imprensa. Essa é a nova política?

Queiroz, que alega ter pedido R$ 40 mil emprestados ao presidente eleito Jair Bolsonaro devido a dificuldades financeiras, está internado no Hospital Albert Einstein, após a retirada de um tumor maligno no intestino, ocorrida nos primeiros dias do ano. O Hospital é uma referência na área de saúde e um dos mais caros no país.

Quem pagará a conta? Certamente não será nenhum colega jornalista.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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