O Natal sempre nos traz momentos de reflexão. Nos dias de hoje, onde o ódio e o ufanismo político, onde a extrema direita ressurge com força em toda a parte, desenterrando velhos dogmas, se faz necessário um minuto de silêncio para colocarmos na balança se queremos um mundo com os seres humanos se respeitando, independente de cor, credo, opção sexual, nacionalidade ou se devemos buscar o bem social, via exclusão. Se o próprio Estado trabalhar para que as minorias sejam eliminadas em prol da falsa crença de que são o enfraquecimento da raça, o jogo será muito difícil. Isso é real quando creditam (exemplo) aos índios ou aos defensores das pautas ecológicas, o empecilho ao desenvolvimento. Pior, quando se crê que o único fator que deve ser perseguido pelo homem é a prosperidade econômica sem limites, penso que estamos entrando em uma rota nebulosa.
Jesus foi um ferrenho defensor das minorias, apiedou-se dos doentes, dos leprosos, das prostitutas fazendo-os exemplo de igualdade. Quando a nação mais potente e rica do planeta dá claros sinais de que não tolera minorias, que quer fechar-se para o seu povo, quando outros países pelo planeta seguem esta cartilha, só aumenta o sofrimento humano. Vejam o caso dos imigrantes. Homens, mulheres, crianças, velhos e velhas que tentam começar nova vida fora do território em que nasceram por conflitos locais ou catástrofes ambientais são repelidos como bichos doentios.
Imaginem a cidade de São Paulo, a mais nordestina do Brasil, como seria se Dória resolvesse construir um muro e impedir a entrada de milhares de pessoas de todos os cantos do planeta que aqui chegam buscando, apenas, sobreviver.
O momento atual é importante para repensarmos o nosso entendimento e nosso papel diante das questões humanitárias.
FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO!
• Esta é a última coluna deste ano. Agradeço aos leitores e ao JORNAL O MUNICIPIO a oportunidade de expressar minhas opiniões. Saio de férias durante o mês de janeiro.

Fernando Dezena
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