Na tarde da última terça-feira, Euler Fernando Grandolpho efetuou disparos no interior da Catedral Metropolitana de Campinas, logo após o fim da missa das 12h15. Quatro pessoas morreram no local e uma nesta quarta-feira. Três feridos já receberam alta médica. O atirador cometeu suicídio na sequência, após ser baleado na região da costela por um policial militar.
A motivação do crime ainda é investigada.
Grandolpho tinha 49 anos e morava em um condomínio de alto padrão em Valinhos, cidade vizinha a Campinas, com o pai – a mãe já havia falecido. Segundo a Polícia, a profissão do atirador era de Analista de Sistemas, porém sua formação acadêmica era em Publicidade e Propaganda. Não tinha antecedentes criminais. Era descrito pelos familiares como quieto e recluso. Euler gostava muito de motocicletas, estudou na UNIP e no COTUCA (Colégio Técnico de Campinas, ligado a Unicamp). Foi servidor concursado do Ministério Público do Estado de São Paulo, atuando como auxiliar de Promotoria I, na Comarca de Carapicuíba, Região Metropolitana de São Paulo. O Ministério Público de São Paulo informou que ele pediu exoneração do cargo em 3 de julho de 2014. Antes de entrar na Catedral e descarregar a pistola por duas vezes (ainda tinha mais dois carregadores com 22 cápsulas cada), o atirador poderia ser considerado um “cidadão de bem”.
Poderia certamente adquirir uma arma para defender-se da bandidagem, dos “vagabundos que andam por aí”. Era um homem de vida limpa, sem diagnóstico de esquizofrenia ou de comportamento violento, radical. Se não for uma prova, é um bom exemplo, de que mudar o Estatuto do Desarmamento, como promete o novo Governo, pode não ser a melhor solução para conter a violência.
Foi de homem de bem em “bandido bom é bandido morto” em dois minutos. Para isso, cinco inocentes pagaram com a vida. É a estupidez humana em sua face mais crua.
Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados. [email protected]

