Uma pesquisa realizada em 35 países, divulgada no início do mês de novembro pela Varkey Foundation, entidade dedicada à melhoria da educação mundial, mostrou que o Brasil caiu para último lugar no ranking de status do professor. Ou seja, menos de 1 em cada dez brasileiros acha que professor é respeitado em sala de aula.
Em recente entrevista que realizei com a filha do escritor Augusto Cury e Diretora da Escola da Inteligência Camila Cury, a especialista ressaltou que “se o país pretende zelar pela educação, precisa cuidar dos seus professores”. Para ela, “não basta somente falar o que o professor precisa ensinar. E necessário dar ferramentas para que ele se sinta capaz de ensinar. O corpo docente está descrente de sua própria atuação”.
Camila Cury revelou que uma pesquisa feita em uma grande cadeia de escolas privadas do Brasil constatou que 60% dos professores não acreditavam que seus alunos iriam ter sucesso na vida social, profissional e familiar. Explicou ela: “O professor precisa entender que ele é o agente transformador deste cenário. Essa camada é mais profunda: obviamente são necessárias medidas de remuneração, de clima organizacional e plano de carreira, porém a questão psicológica precisa ser igualmente acompanhada e analisada”.
O mais recente Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), publicado pelo ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) mostrou que o País não atingiu as metas nos anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.
Somente será possível tirar o Brasil desta lástima que é o último no lugar em prestígio do professor se ocorrer uma mudança nas políticas públicas educacionais.
Se o Brasil cuidar do que envolve emocionalmente cada professor, estará indiretamente investindo em cada aluno.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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