Temos um governo em formação depois de quatorze anos de PT e dois anos de Temer. Natural que existam contratempos e males entendidos até que toda a equipe trabalhe e fale sob uma única batuta. Notamos postulantes a cargos, ou nomes já certos, colocarem suas opiniões pessoais acima das do grupo ganhador. Isso, com o tempo, tende a se acertar.
Sem dúvidas, os grandes nomes do primeiro escalão serão Paulo Guedes e Sérgio Moro, deixando de lado a figura de Bolsonaro. O economista chefe terá a missão de fazer o Brasil crescer e gerar renda e emprego preservando o valor da moeda. Ele disse que gostaria de um Banco Central independente, evitando-se a motivação política em suas decisões no sentido de preservar o valor da moeda. Em um longo discurso defendendo a ideia, escorregou ao citar a China como exemplo de moeda forte (?), esquecendo-se, por um momento, da ingerência política nesta condução. Também tentará implementar uma política neoliberal com privatizações e cortes de subsídios de corar qualquer apaixonado pelo ideário. Vamos ver onde consegue chegar. A reforma da previdência, como o grande satã, voltou à balha.
A outra figura de peso é a de Sérgio Moro. Disse que não tentará carreira política, mas será um técnico na condução do Ministério. Tentará diversas reformas para coibir a corrupção, entre elas tirar o CARF da Receita e passar para a sua tutela. Também gostaria de mudar a legislação penal e promete para o começo de janeiro um pacote nesse sentido.
Sabemos que a alternância no poder é extremamente salutar, mas precisamos ficar atentos a arroubos que coloquem em risco conquistas passadas.

Fernando Dezena
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