Minha coluna “Reduto bolsonarista”, publicada na edição do último sábado, causou uma explosão de ódio em uma parcela do eleitorado local. Recebi mensagens, e-mails e visualizei diversas postagens nas redes sociais em que militantes raivosos do candidato Jair Bolsonaro dirigiam palavras de baixo calão a mim e a minha família, além de fazer suposições cretinas sobre meu caráter, minha fé e minha capacidade profissional. Um deles me chamou de “comunista safado”, seguido de “Vai acabar a mamata, vagabundo!” (entre palavrões e ameaças) para no post seguinte abençoar seus seguidores com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. É a síntese do cidadão de bem, cristão, que deseja a morte de quem não pensa como ele.
Sobre essa desnecessária animosidade, lamento profundamente. As postagens ofensivas foram devidamente printadas e as providências jurídicas necessárias já estão sendo tomadas.
O artigo não elogiava o PT, nem Fernando Haddad. Buscava compreender o pensamento do eleitorado, apontar os desvios de personalidade do candidato do PSL, além de sua falta de propostas para a região, temas noticiados pela mídia, que este articulista “colador de ideias” tentou sintetizar dentro do espaço delimitado.
Antes deste episódio não achava relevante, mas vou prestar alguns esclarecimentos aos desavisados: escrevo para o jornal O Município com muita alegria e satisfação há cerca de seis anos. Sou um jornalista independente, que construiu uma carreira sólida e respeitada na iniciativa privada, em mais de 15 anos de atividade profissional. Nunca fui filiado a nenhum partido político e não recebo (nem nunca recebi) pagamento de candidatos ou entidades durante o exercício de minha profissão. Não moro em Cuba. Tampouco estou me mudando para a Venezuela, como sugeriram alguns alienados. Também não sou funcionário contratado do jornal. Sou um colaborador, por acreditar que posso contribuir por meio do meu trabalho, mesmo que de forma singela, com o desenvolvimento da sociedade.
É certo que uma parte significativa da população da região votou em Jair Bolsonaro. Porém, não cabe ao Jornalismo acalentar a maioria, muito menos dar notícias pautadas no que fundamentalistas entendem como verdade. O papel fundamental da imprensa é oferecer contrapontos, mostrar os dois lados da mesma história, ouvir ambas as partes e permitir a reflexão.
O próprio Jair Bolsonaro, em seu plano de governo, afirma que é “contra qualquer regulação ou controle social da mídia”, mesmo que não haja uma explicação mais aprofundada do que isso significa. Aliás, suas 81 páginas estão mais para uma carta de intenções do que para um plano de crescimento do País. Uma análise mais detalhada mostra um documento cheio de desejos, mas paupérrimo em propostas de como executá-los.
Se o eleitor brasileiro espera que Bolsonaro seja algo novo, deve cobrar um aprofundamento de suas propostas, que ainda são rudimentares. Por isso, a necessidade absoluta dos debates na reta final do pleito.
Entregar um cheque em branco a um político, sem compreender o que ele poderá produzir de concreto para os setores mais carentes do País é uma asneira maior do que usar a internet para ofender, atacar a honra e humilhar.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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