A fragilidade do futebol feminino no Brasil

O maior campeão das Copas tornou-se país do futebol com campeonatos e jogadores aclamados pela mídia, milhões de reais gastos em patrocínios, salários e estruturas, tudo isso só se estivermos falando da categoria masculina. Infelizmente o futebol que é para abranger todos os gêneros, não é nem valorizado da mesma forma quando falamos da inserção da mulher nesse âmbito.

No dia 22 de abril deste ano, a Seleção Brasileira de futebol feminino, foi heptacampeã da Copa América, foi o sétimo título em oito edições do torneio já disputadas desde 1991, com uma campanha impecável, sete vitórias com 31 gols marcados e apenas dois sofridos. Além disso, as meninas ainda garantiram a vaga na próxima Copa do Mundo em 2019 e na Olimpíada de Tóquio em 2020, o único problema de assunto foi que ninguém viu ou ficou sabendo.

Segundo uma pesquisa realizada pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, a Unisinos, apenas 2,7% da cobertura midiática é destinada ao futebol feminino. Em 2017, a CBF destinou à equipe campeã do Brasileirão uma premiação de 120 mil reais. O valor é considerado 141 vezes menor ao que é dado aos campeões masculinos, 17 milhões de reais. Do que adianta o futebol feminino passar somente na época de Olimpíada e Mundial e não ter visualização nos outros dias na mídia? Ou sequer os clubes terem um time apto a jogar essas competições?

O portal de notícias UOL divulgou um estudo logo após a Olimpíada do Rio 2016, que mostra a ascensão do futebol feminino na última década sendo o quarto maior evento de audiência das Olimpíadas. Embora esse crescimento seja evidente, fica claro o preconceito, a falta de investimentos e baixo reconhecimento.

A CONMEBOL, juntamente com a CBF e a FIFA, exige a partir desse ano, que os clubes brasileiros tenham times femininos disputando campeonatos nacionais, senão não poderão disputar a Libertadores no ano que vem. Contudo não adianta o clube ter um time só por ter e apenas o masculino competir. Tem que ter investimento, recursos apropriados, departamentos, uniformes para que possam ter uma vida profissional digna, isso sim é ser o país do futebol.

Normalmente o futebol é considerado um esporte unicamente masculino, sendo simbolizado pela rivalidade, contato físico, força, investimento, altos salários e reconhecimento. Estilo, filosofia e tática são iguais, mas não é jogado igualmente por essas questões citadas acima. Por isso é um erro comparar o futebol feminino com o masculino, a realidade é bem mais complexa e revela um cenário totalmente diferente não só na questão tática, dos baixos salários das atletas em relação aos jogadores homens, tudo isso vira um conjunto de problemas ligados à falta de estrutura das equipes e profissionalização da categoria feminina.

Tamires Zinetti

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