Na Copa da Rússia, a Fifa implantou o sistema eletrônico de apoio à arbitragem, conhecido pela sigla em inglês VAR (Video Assistant Referee). O objetivo é ajudar o árbitro, no campo de jogo, a tomar decisões justas em lances considerados duvidosos.
A estrutura consiste em uma equipe de árbitros e ex-árbitros que se postam em uma central fora do estádio, acompanhando em vários monitores de TV toda a partida, com o auxílio de técnicos em vídeos que escolhem os melhores ângulos do lance em questão para o replay da jogada. Em uma das margens do gramado, o juiz principal poderá rever a jogada num monitor e tomar a sua decisão.
De acordo com a Fifa, o VAR poderá ser utilizado somente em lances decisivos que não ficaram claros para o árbitro e seus assistentes. Por exemplo, definindo se numa jogada que resultou em gol houve alguma irregularidade; se a bola ultrapassou ou não a linha fatal; para a convicção na marcação de um pênalti e na identificação de um atleta que tenha cometido falta grave.
Segundo a entidade, cabe ao árbitro de jogo solicitar a revisão de um lance. Nesse caso, ele coloca uma das mãos sobre o ouvido para indicar consulta ao VAR. Caso entenda a necessidade de revisar a jogada que ocasionou a dúvida, faz um gesto com as mãos desenhando um retângulo, podendo definir o lance apenas com as informações dos auxiliares de vídeo ou consultando o monitor à margem do gramado para conclusão final. É o futebol se modernizando.
Porém, esta imparcialidade induzida pode ter dupla interpretação, segundo o comportamento das pessoas envolvidas. Na Europa, por exemplo, a assimilação do VAR está se tornando um sucesso pelo respeito às decisões. Na América do Sul, porém, o sistema já causa polêmica, como pudemos comprovar semana passada em dois lances da Copa Libertadores. Num deles, o zagueiro Dedé, do Cruzeiro, teria sido expulso injustamente contra o Boca Juniors, enquanto que Pérez, do Colo-Colo, na partida com o Palmeiras, recebeu o cartão amarelo e depois o vermelho com a ajuda eletrônica. Decisões distintas, a primeira analisada como falha de interpretação e a segunda como acerto na atitude do árbitro. Causaram revolta aos supostamente prejudicados!
O VAR chegou para fazer justiça, opinião unânime. Todavia, onde corre nas veias o sangue latino e interesses muitos se sobressaem, este método chegou com conclusões duvidosas e ambíguas. Já se comenta sobre arbitragens tendenciosas e de inevitáveis pressões extracampo, atitudes fundamentais para se chegar ao diagnóstico final de determinados lances.
Leivinha Oliveira

