Quantos amigos decididos a votar por uma ideologia você já fez trocar de opinião? Pode-se até variar entre um e outro candidato durante a campanha, mas a linha política se mantém. Normalmente pessoas não mudam.
Em uma era de Facebook, Twitter e WhatsApp, justificar o voto (secreto por direito, talvez tenhamos esquecido) é uma obrigação e, para muitos, um deleite. O cidadão moderno, conectado, não quer apenas exercer a democracia ao eleger seus representantes: faz questão também de receber curtidas por isso.
Ter direito de votar em candidato X, alinhado a própria ideologia, não é mais suficiente. É preciso convencer todos ao redor de que tal escolha é a correta. O voto individual parece fraco, sem graça, inútil.
Ao mesmo tempo, não seria essa a mais pura expressão da democracia? A influência, antes relegada aos jornalistas, políticos, artistas e intelectuais – fora os coronéis aqui e ali -, hoje pode ser sua, minha, da sua tia no grupo da família ou do seu vizinho em um vídeo gravado no celular.
O único pré-requisito que eu colocaria, se pudesse, é que pesquisassem todos os lados e consequências do assunto abordado – ou simplesmente deixassem a dissertação para quem o faz. É tão fácil para qualquer um espalhar conteúdo (de qualidade ou não, verdadeiro, falso, mal escrito) que este é o período eleitoral com mais desinformação. Isso, inclusive, popularizou o termo fake news.
De qualquer modo, a animosidade está crescendo. Manifestações, antes restritas às redes sociais, acontecem agora em vias e praças públicas, mesmo em uma cidade tranquila como a nossa. Se as eleições não são para a administração municipal, é sim algo a se reparar! Não me lembro de outro primeiro turno em polvorosa como este.
Citando o bandido e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, “que Deus tenha misericórdia dessa nação”. E se o feed está intragável hoje, espere para ver depois de conferirem as urnas no segundo turno.
Matheus Lianda
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