Infantil em todos os sentidos é como nossa política se comporta! Creio que não seja proposital ou por algum tipo de ideal, na verdade, é possível, que pelo fato do Brasil ser um país novo com uma nova constituição, 1988, (foi ontem) ainda estamos amadurecendo a classe política.
Como toda infantilidade, acabamos passando a mão na cabeça, perdoando e até esquecendo, afinal… espera-se que vá amadurecer, espera-se, inclusive, que aprendamos com os mais velhos. Países do velho mundo que passaram por guerras, fome e flagelo, poderiam ser as políticas das quais serviriam como exemplos.
Mas isso, é muito mais complexo quando existe uma miscigenação e uma diferença de classes historicamente presente em nosso bebê Brasil. Um país novo, descoberto a tão pouco tempo e explorado de forma tão gananciosa e brutal.
Mesmo diante de tantas conquistas que, a suposta democracia nos trouxe, sentimos na pele que há um sistema patriarcal que, independe de lado político, domina aos moldes da casa grande e senzala.
Formamos sim grandes políticos, mas na verdade, nunca chegaram ao ponto de ter a grandeza governamental para abrir mão das mordomias do poder ou para olhar com verdade para as pessoas comuns (existe exceções). Por mais honesto que um político se forme, mesmo que venha de baixo, quando ganha as esferas do poder, passa a não precisar abrir mais a porta do carro, não pagar mais o almoço, não trabalhar mais por um valor para se sustentar, não ter mais dificuldades de conseguir as coisas do dia-dia que são difíceis para qualquer um de nós e é, justamente isso, que o leva a pensar diferente do certo/comum, perde-se o sentido e o propósito para o qual ele mesmo acreditou e se torna distante da sociedade, as vezes até infantil do tipo: “mãe, prometo que não faço mais isso, prometo que vou fazer certo agora!“, sem ter certeza de que fará de fato, pois as regalias tendem lhe desviar da realidade que um dia viveu.
Super salários, auxílios, mordomias, jantares e todo pacote exclusivo de um parlamentar brasileiro separa o indivíduo da vida comum, da nossa vida.
Os partidos e bancadas específicas, disputam seus interesses com a premissa do dinheiro chama dinheiro, poder chama poder, meu projeto é melhor que o seu, como se uma criança estivesse disputando qual brinquedo é mais legal, não parece ter um projeto contínuo para o país, uma sequência de governo em governo.
Me desculpem falar de política, é tão cansativo e óbvio o que estamos vivendo que escrever sobre o assunto é um chover no molhado, mas foi uma eleição triste. Ter que assistir debates infantis que só faltou falar, “tô de mal, come sal, deixa um pouco pro Natal”, foi uma ofensa a nós que entregamos a alguém o nosso país.
Quando os governantes estiverem na mesma situação que nós, sem privilégios, talvez, saberemos quem é maduro ou quem é infantil e separaremos as crianças dos adultos, o sistema do propósito comum, o governar do articular, o altruísmo do ego!
Falta maturidade política, homens comuns, dispostos a dar de si para o país e não tomar de nós para governar com holofotes. Política não é festa e nem fanatismo. Bem diferente do que estamos assistindo ultimamente!

Plínio Aiub
é médico veterinário especializado em animais silvestres




