Olá, querido leitor; espero encontrá-lo bem

Antes de abrir o tema central desta edição, eu preciso reforçar o quanto eu me sinto feliz por este espaço e que eu espero, de coração, trazer inspirações para que a sua carreira tenha maior significado, já que vamos passar pela vida mais tempo trabalhando do que fazendo qualquer outra coisa.

Na primeira edição, de 8 de agosto, eu trouxe uma reflexão fundamental para a nossa carreira: “Qual o seu lugar no mundo?”. Cada um de nós tem o seu e nós merecemos conquistar, estar e desfrutar desta posição.

Nesta segunda edição, eu trago uma rota alternativa: “E o que acontece quando por algum ou alguns motivos não temos a oportunidade de estar no nosso lugar no mundo?”. Também te trago o convite para uma viagem no tempo sobre a história do trabalho.

Duas curiosidades:

Você sabe qual o significado da palavra trabalho?

Vem do latim tripalium que quer dizer objeto de tortura.

Qual o curso de maior fila de espera no mundo?

Já foi o curso de Felicidade oferecido por Harvard. A resposta à primeira pergunta, justifica a necessidade da segunda.

Antes de 1.800 (d.C.), as palavras “realização”, “satisfação” nem sequer apareciam nos dicionários. O que significa que a busca pelo sentido no trabalho é uma invenção moderna. Ao longo da maior parte da história, as pessoas tinham bem poucas escolhas quanto a seus trabalhos. Era uma questão de destino e necessidade, em vez de liberdade e escolha. Porém, hoje, temos cerca de 12 mil carreiras catalogadas, com 487 opções só na letra A: administrador, agricultor, arquiteto, astrônomo etc. De maneira geral, o excesso de oferta, a influência das mídias digitais (nelas tem sempre alguém dizendo que é melhor do que você e que tem um trabalho mais legal do que o seu), somados aos valores da era moderna, instalaram uma espécie de praga da insatisfação no trabalho e uma epidemia de incerteza sobre como escolher uma carreira – pesquisas apontam que a tarefa de encontrar uma carreira gratificante está entre os maiores desafios da vida.

Existe um ditado popular sobre o amor que é o seguinte: “Casa é qualquer lugar onde eu esteja com você”. Se fizermos uma analogia com a busca pela satisfação no trabalho é como se passássemos pela vida buscando um trabalho que podemos nos sentir em casa, nos sentir no nosso lugar no mundo. O que acontece é que muito fácil nos perdemos nessa busca. Muitas vezes nos perdemos quando a única perspectiva de satisfação no trabalho que consideramos é a de fazer aquilo que amamos: “Só serei feliz no trabalho se eu fizer aquilo que eu amo”.

Temos que nos perguntar sim sobre aquilo que amamos, sobre qual é o nosso lugar no mundo. Mas não basta. Existem outras perguntas a serem feitas, sobretudo: “O que o mundo pede de mim neste momento?”.

É como se fosse a interseção entre aquilo que amamos, sabemos fazer, o que o mundo precisa e o que o mundo está disposto a pagar por isso. Esses pontos precisam convergir, precisam de conexão e quando houver isolamento entre algum ou alguns deles, considere fazer disso um trabalho voluntário (ótimo para ganhar experiência e encontrar sentido, inclusive) e até como uma atividade de lazer. Mas lembre-se: uma construção gratificante e edificante de carreira vai unir aquilo que você ama + sabe fazer + atende uma demanda + é remunerado por isso.

Muitas vezes nos frustramos porque reduzimos a perspectiva de uma boa carreira somente no desejo de fazer aquilo que amamos.

E o que acontece (e acontece muito) quando não temos a oportunidade de fazer aquilo que amamos, de estar no nosso lugar no mundo por uma questão de destino ou necessidade?

Nada nos impede de aprender a amar o trabalho que precisa ser feito. Isso não é sobre destino ou necessidade, é sobre uma decisão madura e consciente que só nós mesmos podemos tomar e sobre uma rota alternativa à uma provável carreira frustrada. Porque sim, acredite, a vida é uma questão de perspectiva. Não é sobre aceitação ou fraqueza, mas o contrário disso: construção e coragem. Por isso eu te desejo coragem. O que a vida pede da gente é coragem.

Durante anos, pesquisando carreiras bem-sucedidas, em destaque e com caminhos que levaram à realização, uma característica foi comum a todas elas: a coragem (“agir com o coração”).

E convenhamos: é impossível não encontrar realização, não encontrar sentido quando a gente tem a coragem de aprender a amar aquilo que a gente faz. Segundo Sócrates, o melhor caminho para isso é tornar importante para você aquilo que é importante para o outro.

Dani Rodrigues é estrategista em Futuros e Felicidade no Trabalho, e vice-Reitora na Unifeob

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