Mergulhando na leitura

Como já dizia nosso poeta maior, Carlos Drummond de Andrade, “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas, por incrível que pareça, a quase totalidade não sente essa sede”. Já está comprovado que a leitura faz um bem danado para o cérebro, funcionando até como um fator de proteção contra grande parte das demências que podem atingir até 10% da população acima dos 60 anos. Portanto, não há dúvida, o hábito de ler promove inúmeros benefícios durante toda a vida e não tem contraindicações.

Porém, nos últimos anos, o brasileiro que nunca foi um leitor voraz, vem diminuindo ainda mais a quantidade de livros lidos. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 53% dos entrevistados não leram nem parte de algum livro, seja ele, físico ou digital. Se levada em consideração a leitura de um livro inteiro, a proporção chega a cair para 27%. Para se ter uma ideia, em quatro anos, houve uma redução de 6,7 milhões de leitores no país. A falta de tempo, o desinteresse e a preferência por outras atividades, como consumir conteúdos nas redes sociais, são os principais fatores que distanciam as páginas das pessoas.

Todavia, definir atualmente o que é um leitor é algo cada vez mais complexo, já que o consumo da literatura não ocorre mais somente através dos livros e sim, em diversos formatos e ambientes. O mercado editorial, tem mudado drasticamente ao longo do tempo. Livros cada vez mais curtos e textos extremamente sucintos, ocupam muito espaço, tanto no mundo físico quanto no digital. Os calhamaços, cada vez mais raros, vão sendo gradativamente substituídos por livros de rápida leitura.

Por outro lado, pipocam pela internet clubes do livro, grupos de discussão de clássicos e até influencers literários. Afinal, ainda é possível capturar e principalmente, manter a atenção dos leitores nessa disputa entre a leitura mais superficial e a aprofundada? Entre a facilidade da imagem ou do áudio e complexidade da leitura?

O que pode ser dito por enquanto, é que para além dos benefícios relacionados a saúde mental, tem certos prazeres que somente os livros são capazes de proporcionar para quem ainda mantém o hábito de mergulhar por esse universo. A realidade para os amantes da literatura, é que por mais que uma obra do audiovisual entregue uma versão quase perfeita, nada é capaz de substituir a satisfação de gastar horas e horas, imaginando os personagens e situações descritas em um bom livro.

 

Érica de Oliveira Nora
é  jornalista e ilustradora.

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