Mesmo depois de bons anos em São Paulo, meu “R” continua sendo do interiorrr.
Quando falo “porta” e “porco”, é bem diferente de quando meus filhos falam. E como pode, né? Menos de 200 quilômetros de distância e uma diferença enorme na pronúncia. Principalmente quando eles chamam o amigo Artur para vir em casa.
E, por falar em interior, me lembrei de uma festa de peão, há muitos anos, em Águas da Prata.
O lugar era pequeno. A arquibancada ficava bem próxima da arena e o brete era logo ao lado. Confesso que precisei pesquisar esses nomes no Google, porque, depois daquele dia, o rodeio passou a ser uma daquelas coisas que eu simplesmente não consigo mais assistir.
Uma cena ficou guardada na minha memória!! O peão, logo nos primeiros saltos do boi, caiu bem na nossa frente. Vi sangue perto dele e, logo em seguida, a sirene da ambulância pareceu mais nervosa do que eu.
Meu pai percebeu meu desespero, me abraçou e disse:
— Está tudo bem. Ele vai para o hospital e amanhã já estará montando novamente. Você vai ver!
Ele e minha irmã, que naquela época devia ter uns seis anos, voltaram para o evento como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
Mas eu, não!!! Nunca mais…
E o que tudo isso tem a ver com a crônica desta semana? Tem a ver com Instagram.
Bastou um dia eu pesquisar quem era a boiadeira que lotou a EAPIC, para a internet decidir que aquele assunto agora fazia parte dos meus interesses.
Foi impressionante!! Em poucos segundos, a internet nos leva a lugares, pessoas e informações que talvez jamais procurássemos sozinhos.
Mas aquilo me fez pensar novamente em uma pergunta que já havia passado pela minha cabeça:
Por que colocar os momentos felizes no Instagram?
A vida tem altos e baixos. Tem dificuldades, perdas, medos, desafios, quedas e recomeços.
Só que, no Instagram, geralmente vemos o boiadeiro levantando feliz depois dos seus oito segundos sobre o boi. A queda, muitas vezes, não aparece.
E foi justamente aí que encontrei a resposta!!!
Eu não coloco os momentos felizes porque a minha vida é feliz o tempo todo; eu coloco porque a vida é dura….E colocar os momentos felizes é também uma maneira de construir um lugar para onde voltar… na alegria de uma amizade, no amor da família, numa risada, numa lembrança…
Esses sao momentos que vou deixando pelo caminho, como pequenas marcas de felicidade….
E, quando a vida aperta, eles continuam ali.
Aquela lembrança do rodeio na Prata me levou de volta ao abraço do meu pai, justamente no momento em que eu estava assustada e sem saber o que fazer.
E então entendi para onde voltar.
Quando estiver vivendo um daqueles “baixos” da vida, posso olhar para trás e me lembrar que, apesar de tudo, a vida também é bonita!
Eu posso retornar.
E quanto à vida dos outros?
Ah! Como sou feliz em ver os “altos” dos meus amigos!
Afinal, se eu não gosto de rodeio, existe muita gente que ama. E se para mim aquela arena ficou marcada por uma queda, para outra pessoa pode ser palco de alegria que será levada para a vida inteira.
E, depois de pensar em tudo isso, confesso que até fiquei com vontade de dar uma espiadinha de perto em uma prova de tambor… Quem sabe em Barretos ou em São João.
E, eu sei…Quando precisar, eu posso retornar!!!

Luciana de Andrade Ferreira Gomes
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