Avós, abuela, nona, grandma, oma, baaba, obaasan, grand-mère, jadda ….
Que coisa mais gostosa é ser avó! Mãe com açúcar, dizem! Afinal, não precisamos mais educar…ou será que isso nunca vai passar???
Comemorado no último domingo de julho, dia da mãe de Maria e avó de Jesus, Ana ou Santana como reza a igreja católica tem um significado enorme para todos! É a padroeira de nossa vizinha Vargem Grande do Sul com uma cavalgada tradicional há anos! Avós = lembranças! E o que seria de nossa reles vidinha sem nossa memória afetiva, lembranças de outrora, de pessoas significativas para a criança que todos nós fomos!!!
Da minha, a única que tive foi a de uma senhorinha magra, mignon, sem dentes, de roupa comprida, preta ou com algumas bolinhas brancas, de mangas compridas, austera, sempre de coquinho nos cabelos ralos e com expressão triste, só sorrindo quando na presença de nós, netos amados na bela e heráldica fazenda Bela Vista construída pelo meu avô, Maneco Junqueira. Por amor diziam que ela tinha até mudado seu nome: de Maria Francisca (mulher de palhaço!) para Maria Gabriela. Era uma rica/pobre, de hábitos frugais, só saindo para ir às missas na capela de lá ou na Prata. Isso porque a vida lhe fez assim: triste!
Perdeu o marido em novembro de 1921 e, um mês depois, o filho mais velho, com 15 anos, ficando viúva jovem, com 34 anos inexperiente com várias fazendas para administrar sem saber como, com 7 filhos sendo a caçula de 8 meses. Mulher antigamente era só ‘do lar’! e ela foi lançada pela vida na labuta de negócios rurais complexos, o que lhe tirou todo lampejo de alegria e entusiasmo. Dizia que tinha ido uma vez em Itanhaém na casa do padre Davi, amigo da família e tinha se encantado com o mar, minerim que era. Disse também que tinha tido vontade de viajar de navio; na época sem poder e depois, sem querer mais! A vida realmente nos prega peças! Quando podemos, já não temos nem capacidade física nem vontade; e quando queríamos, não podíamos por falta de dinheiro, trabalho, incapacidades outras….
Já de minha outra avó que não conheci, sabia ser brava (a vida lhe fez assim!), com um marido doente e 8 filhos pra criar e sem dinheiro nenhum numa época de escassez de trabalho. Foi para Cascavel, hoje Aguaí, pois ali como entroncamento férreo haveria mais oportunidades para todos. Conseguiu comprar uma chácara dentro da cidade onde havia fartura de frutas, verduras, mandioca…. Meu tio tinha que sair vendendo verduras que ninguém comprava (almeirão, couve, serralha… ); então ele com seu jeitinho mais que brasileiro fazia suas trocas: vendia polvilho escondido; frutas…. As compradoras quando encontravam sá Elisa elogiavam, pediam mais… e, descoberto, meu tio Samuel levava uma surra daquelas! Essa minha avó não sabia ler. Minha mãe lia os salmos para ela, cada um para a ocasião certa: para chover; para chuva feia; para pedir bênçãos; para agradecê-las….
Então todos achavam que ela sempre tinha sido pobre e analfabeta. Não!!! Seus pais eram ricos fazendeiros em Campestre, MG, donos da fazenda Cachoeira, perdida por terem sido avalistas de outros num mal negócio e minha avó não tinha ido à escola por ter se queimado no fogão à lenha e todos crendo que ela não se salvaria!
E eu, como avó de 6 netos, só dois daqui? 81 anos, cheia de ânimo, movida à musica, ‘lida, escrevida e cozida’…entenderam né! que gosto de ler, escrever, cozinhar!!! E andando dia e noite estrada afora sem medo nem preguiça! Que diferença entre os nomes lá do título e entre as 3 avós descritas! Bençãos de Deus para todas!

CLINEIDA JUNQUEIRA JACOMINI
Academia de Letras de São João da Boa Vista
Cadeira nº 43 – Patrono: Rubem Braga




