Minha jornada com o jornal O MUNICIPIO começou bem cedo. Lembro-me, desde sempre, de ver meus pais e minha avó comentando as notícias da cidade logo no início das manhãs de sábado. Quando o entregador demorava um pouco mais para deixar o jornal, a impressão era que o final de semana começava atrasado.
Já um pouco mais velha, comecei a ficar interessada, principalmente, pela coluna social onde, na maioria das vezes, rostos conhecidos estampavam a página. Logo depois, meus irmãos e eu começamos a competir pela natação da Esportiva e de tempos em tempos, nossas competições viravam notícias na página de esporte. Guardo muitas dessas edições até hoje.
Nessa mesma época, voltando a pé do catecismo na igreja de Nossa Senhora Aparecida, acompanhada da Bel Oliveira, conheci pela primeira vez a redação do jornal, sem imaginar como aquela pequena redação seria importante em minha própria história.
Anos depois, resolvi prestar vestibular para jornalismo e mudei-me para São Paulo. A internet ainda estava engatinhando e, aos poucos, as páginas dos principais jornais ganhavam novos layouts, mais leves e coloridos. O modo de fazer jornalismo começava a mudar, muitos periódicos não conseguiram acompanhar essas transformações e acabaram encerrando suas atividades. Tanto nas redações, quanto nos corredores das Universidades, pairava no ar a incerteza de qual seria o futuro dos noticiários.
Já no segundo ano de faculdade, tive a honra de ter minha primeira reportagem publicada em um jornal, justamente, no O MUNICIPIO que conseguira adaptar-se perfeitamente aos novos tempos. Posteriormente, fiz um estágio de férias na redação do jornal e até tive fotos do meu casamento publicado naquela página social a qual sempre acompanhei.
Fui embora de vez de São João, passei por Brasília, Austrália, São Paulo e de novo Brasília, onde fixei residência. Foi quando publiquei um livro infantil e recebi o convite para voltar a escrever –agora, mensalmente – para o jornal. Aceitei sem imaginar como seria bom me sentir reconectada com a cidade na qual nasci e cresci.
Quase cinco anos depois, cá estou, grata e orgulhosa por fazer parte da trajetória de um dos jornais impressos mais antigos do país. Obrigada, Vera e Doutor Joaquim (in memorian) pela oportunidade! Vida longa ao jornal O MUNICIPIO e ao jornalismo de verdade… O Jornal da minha vida.

Érica de Oliveira Nora
é jornalista e ilustradora.



