Carta a um amigo

Escrevo este texto para um amigo que não está mais entre nós:  Willian Cardozo Silva. Ou, como sempre o chamamos carinhosamente, Will. Talvez você que esteja lendo não o tenha conhecido, mas, se me permite, tentarei explicar quem foi ele.

Sabe aqueles poucos amigos que Deus coloca em nosso caminho e mudam nossa vida para sempre? Esse era o Will. Um jovem de alma simples, generosa e bondosa. “Ele é diferente”, muitos diziam. E era verdade. Por onde passava, fazia amigos e, mais do que isso, conectava pessoas. Era quase impossível não conhecer alguém que tivesse iniciado uma amizade por intermédio dele.

A casa dele era o nosso QG. Um lugar onde seus pais, Prata e Sandra, nos recebiam de coração aberto para um churrasco com truco aos finais de semana ou para assistir ao futebol no clássico horário das quartas-feiras. Os três toques no interfone eram o código necessário para reconhecer que alguém do grupo estava chegando. Filho de palmeirense roxo, o Will tornou-se corintiano ainda na infância. O que poderia ser uma rivalidade entre pai e filho tornou-se um elo entre dois companheiros inseparáveis.

Will não era de reclamar. Estava sempre disposto a ajudar e viveu da melhor forma: aproveitando cada momento como se fosse o último. Advogado, professor do curso de Direito da Unifeob, vocalista e lutador nas horas vagas, ele tinha o dom de ensinar. Mostrou-nos que, mais do que transitar com facilidade pelo latim, inglês, japonês ou italiano, saber amar era a linguagem que realmente importava.

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus amigos”. E como ele fez por nós.

Acima de tudo, amava a Deus. Converteu-se ao catolicismo na juventude e ajudou a aproximar muitas outras pessoas da fé. Muitos recebiam seus conselhos e ensinamentos. Em seu altar de orações, mantinha sua devoção a Nossa Senhora, São José, São Dom Bosco, São Miguel Arcanjo e Santa Terezinha, entre tantos outros.

Hoje, sua presença não é física, mas de espírito. Muitas perguntas ficam por conta da sua partida repentina, mas, como dizem: “Deus quer os melhores perto dele”.

Dizem que o papel do jornalista é dar ordem aos fatos e colocar pontos finais. Mas diante da vida do Will, a caneta hesita. Não há ponto final. A sua história permanece viva em cada um de nós…

Rafael Vasconcelos é jornalista e publicitário

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